segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

tudo em todo o lado ao mesmo tempo

[
bom ]


título original. everything everywhere all at once.

género. acção. ficção científica. comédia.
duração. 2h 19min
ano.
 2022

realização e argumento. the daniels [daniel kwan, daniel scheinert].

protagonistas. michelle yeoh. jamie lee curtis. james hong. he huy quan. stephanie hsu.
sinopse. uma heroína improvável tem de salvar o multiverso após uma ruptura interdimensional. [imdb]
 
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tudo em todo o lado ao mesmo tempo é um dos favoritos aos óscares 2023, com 11 nomeações - incluindo melhor filme, realização, argumento e interpretações.

a história centra-se em evelyn wang (yeoh), uma imigrante chinesa desiludida com a vida.

administradora da lavandaria da família, divide o resto do tempo a cuidar do pai (hong), a andar às turras com o marido e a filha, e a fazer contas às dívídas do seu negócio, presentemente a passar por uma auditoria às mãos de uma inspectora implacável (curtis)
.
 
Fonte: Google Images

de um momento para o outro, e à beira da ruptura, evelyn vê-se no centro de uma aventura que envolve múltiplos universos e linhas temporais
 
o duo por trás do filme são os "daniels" (daniel kwan e daniel scheinert), com um currículo modesto em longas metragens mas extenso no mundo dos videoclipes. o filme está cheio de referências a fitas icónicas, uma clara homenagem por parte da dupla aos seus, quiçá, ídolos (matrix; 2001 - odisseia no espaço; disponível para amar; e até o filme de animação ratatouille). 
 
isso talvez explique o tom do filme, fértil em sequências de acção, com uma história dinâmica onde nada pára de acontecer. sacrifica-se, porém, na minha opinião, a coerência do argumento.

Fonte: Google Images

no entanto, no meio do frenesim visual e da absurdidade, surgem questões universais ligadas à família, ao amor e às relações humanas. no multiverso das realidades, evelyn reencontra muitas das pessoas que já fazem parte da sua vida “principal”, mas conhece contextos e experiências completamente diferentes, resultado de escolhas diferentes que fez noutro multiverso. e isto porque cada escolha muda tudo.

assim, o caos
visual é bem equilibrado pela profundidade dos temas abordados; isso torna mais fácil deixarmo-nos transportar pela história e comparar os detalhes mais absurdos com o que há de mais banal na nossa realidade.


Fonte: Google Images

evelyn está longe de ser uma super-heroína e michelle yeoh interpreta magistralmente uma pessoa comum confrontada com forças inimagináveis. o filme doseia bem humor e sentimento, e a mensagem final é bem conseguida, mas ser tão longo torna-o aborrecido -
o filme tem uns bons 40 minutos a mais.

tudo em todo o lado ao mesmo tempo arrecadou vários prémios importantes na 29.ª edição dos sag awards (prémios do sindicato dos actores) de ontem; estes prémios são um barómetro dos vencedores dos óscares.

Fonte: Google Images
 
conto ver mais um par de filmes nomeados até à noite dos óscares, mas, até ver, e entre tudo em todo o lado ao mesmo tempo e os espíritos de inisherin (clicar no link para ler o meu apontamento ao filme), prefiro este último, que considero superior em quase todos os aspectos.

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right is a small box invented by people who are afraid. and i know what it feels like to be trapped inside that box .
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sábado, 28 de janeiro de 2023

os espíritos de inisherin


[ muito bom ]


título original. the banshees of inisherin.

género. drama. comédia.
duração. 1h 54min
ano.
 2022

realização e argumento. martin mcdonagh.

protagonistas. colin farrell. brendan gleeson. kerry condon. barry keoghan. gary lydon. pat shortt. jon kenny. david pearse.
sinopse. quando um homem termina abruptamente uma amizade de longa data, o conflito com o amigo escala de forma imprevisível. [imdb]
 
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o talentoso martin mcdonagh tem o toque de midas.

depois de six shooter, in bruges e três cartazes à beira da estrada, presenteia-nos com
os espíritos de inisherin, misturando drama e comédia numa história de amizade e tragédia.
 
como fundo, temos o fim da guerra civil irlandesa, em 1923. na ilha irlandesa (fictícia) de inisherin, a vida é pacata, todos se conhecem e os hábitos, e rotinas, estão bem enraizados.
 
Fonte: Google Images

quando, de um dia para o outro, colm (gleeson) deixa de falar com pádraic (farrell) e não lhe dá uma explicação, este fica tão perplexo e desconsolado que nem a companhia do seu mini burro - a luz dos seus olhos - o anima.

pádraic é um homem simples em maneirismos e na postura, por isso procura imediatamente o conselho da irmã, siobhán (condon), e das pessoas com quem se cruza na ilha sobre o que poderá estar a acontecer. a irmã, leitora ávida e sensata, não lhe consegue dar uma explicação que o deixe sossegado, e todos os outros minimizam a situação.

Fonte: Google Images

a explicação de colm de que já não gosta do amigo e o acha aborrecido, e de que quer dedicar-se de alma e coração à música em vez de passar tempo a falar de nada com uma pessoa limitada, viram o mundo de pádraic do avesso e precipitam uma cadeia de eventos que envolve várias pessoas e acaba em tragédia.

os espíritos de inisherin é um filme "diferente", peculiar no tom e no enredo. os momentos de comédia são negros.


Fonte: Google Images

o filme foca-se nos temas da solidão, do envelhecimento, do arrependimento e da depressão.

gostei bastante do colorido da linguagem irlandesa, cuja sonoridade contrasta ou complementa as cenas com o mar azul ao fundo, as estradas rodeadas de muros de pedra e o céu nublado

consoante o arco da história, os cenários naturais tanto reflectem a beleza da natureza e a tranquilidade de viver numa ilha pequena, como ampliam a pequenez do local e a sensação de isolamento.


Fonte: Google Images

recentemente, comecei a ler um livro da escritora irlandesa claire keegan e o mundo rural e soturno onde os contos se passam, assim como as relações entre as personagens, é evocativo da cinematografia deste filme. esta coincidência tornou a história mais familiar, e não estranhei (tanto) algumas cenas mais dramáticas do filme.
 
há melancolia e uma atmosfera cinzenta n'os espíritos de inisherin. há nuances shakesperianas e há violência. mas também há amor, coragem e superação. tudo escrito e interpretado de uma forma fantástica, com um elenco onde absolutamente ninguém destoa. a destacar alguém, há que dizer que farrell, condon e keoghan brilham, e muito.

aguardo serenamente para ver quantos óscares arrecadará este ano.


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so we'll keep aimlessly chatting and my life will keep on dwindling. and in twelve years, i'll die with nothin' to show for it, bar the chats i've had with a limited man, is that it ?
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