quinta-feira, 24 de setembro de 2026

resident evil

 

[ bom ]

título original. resident evil.
género. terror. ficção científica. acção.
duração. 1h 34m
ano.
2026
realização. zach cregger.
argumento. zach cregger. shay hatten.
 
protagonistas. austin abrams
. kalis reis. zach cherry. will merrick. paul walter hauser.

sinopse. um transportador de material médico vê-se lançado numa corrida pela sobrevivência, quando tudo à sua volta colapsa. [imdb]
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não joguei todos os resident evil, mas quase.

e talvez seja por isso que uma das coisas que mais gostei neste novo filme de zach cregger (weapons) foi a quantidade de pequenos detalhes que parecem ter saído diretamente dos jogos de survival horror: as ervas, a máquina de escrever, os cartuchos para a caçadeira, a casa isolada...

o filme reproduz fielmente a sensação de estar dentro de um jogo resident evil; há toda a atmosfera, e a sensação de que o perigo pode estar ao virar da esquina.

os monstros são provavelmente um dos grandes trunfos do filme, juntamente com uns sustos eficazes e bom suspense. em vários momentos, a câmara passa para uma perspectiva na primeira pessoa, acompanhando a mira da arma do protagonista como se estivéssemos num first-person shooter.

a sequência onde bryan sai do carro e entra na floresta coberta de neve, lembra uma das cenas de resident evil village, um dos meus favoritos da série.

bryan (austin abrams, euphoria, weapons), aliás, é uma das grandes razões pelas quais o filme resulta. é um estafeta encarregado de entregar material médico a raccoon city e começa, aos poucos, a perceber que alguma coisa não bate certo. a cidade foi alvo de uma fuga de vírus da umbrella corporation e, naturalmente, o pacote que ele transporta é crucial.

o problema é que parece que zach cregger não confia plenamente no horror. quando a atmosfera é excelente e algumas sequências são realmente assustadoras, o filme parece sentir necessidade de transformar o susto numa coisa mais absurda.

o tipo nos esgotos, por exemplo, surge de uma forma aleatória, como uma distracção.

não sou fã dos filmes anteriores, porque, para mim, levaram a franquia para o território da acção centrada na personagem de milla jovovich, tipo super-herói, criada de propósito para o ecrã.

neste novo filme, gostei de encontrar algo muito mais próximo do espírito dos vídeojogos.

não é um filme perfeito, mas é uma maneira bastante divertida de passar hora e meia dentro de resident evil sem o estar a jogar.

outro apontamento meu relacionado:
– resident evil retaliação (2019)

Imagens: Google Search Images

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god damn it. i fucking suck at guns .
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

foi só um acidente

 

[ muito bom ]

título original. yek tasadof-e sadeh
género. drama. crime.
duração. 1h 43m
ano.
2025
realização. jafar panahi.
argumento. jafar panahi. nader saeivar. shadmehr rastin.
 
protagonistas. vahid mobasseri. mariam afshari
. ebrahim azizi. hadis pakbaten. majid panahi. delmaz najafi. mohamad ali elyasmehr. omid reza.

sinopse. um mecânico pensa reconhecer o seu ex-captor uma noite. decide matá-lo, mas antes tenta confirmar junto de outros ex-detidos se o homem é aquele que os aterrorizou. [imdb]
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foi só um acidente, de jafar panahi (táxi), começa com um som que desencadeia toda a história.

uma noite, uma família regressa a casa de carro quando sofrem um pequeno acidente. quando param para pedir ajuda a dois indivíduos, um destes, vahid, julga reconhecer o ranger da prótese do condutor. está convencido de que o homem é eghbal, o seu carrasco quando esteve na prisão. vahid nunca lhe viu o rosto porque estava sempre vendado durante os interrogatórios.

enraivecido, acaba por raptar o homem; leva-o numa carrinha até ao deserto com a intenção de o enterrar vivo. mas hesita no último momento, e decide procurar outras vítimas de eghbal para lhe confirmar a identidade.

grande parte do filme decorre dentro da carrinha, num espaço mínimo onde os antigos prisioneiros se acumulam e discutem justiça, vingança e perdão.

nos filmes iranianos que tenho visto recentemente (como a semente do figo sagrado, de mohammad rasoulof), o mal surge ligado ao medo e à violência do regime dos aiatolas, num terror constante para quem o vive no quotidiano – foi só um acidente não é excepção.

visualmente, o filme tem um realismo muito próximo do documentário. o elenco reforça isso: o único actor profissional é o que interpreta o possível ex-carrasco.

a ideia para o argumento surgiu durante a segunda passagem de panahi pela prisão, entre 2022 e 2023, quando conviveu com centenas de presos políticos e opositores do regime.

foi só um acidente foi depois rodado clandestinamente, em vinte dias. a pós-produção foi concluída em paris, longe do alcance das autoridades iranianas.

pela primeira vez em vinte anos, o realizador foi autorizado a sair do irão para apresentar a obra no festival de cannes. o resultado foi histórico: foi só um acidente venceu a palma de ouro da 78.ª edição do festival, em 2025, e tornou-se também o primeiro filme iraniano nomeado para os globos de ouro (não ganhou).

enquanto promovia o filme no estrangeiro, panahi foi condenado in absentia a um ano de prisão e proibido de viajar por alegadas “actividades de propaganda”. volta sempre ao país porque «é a sua pátria».

não há porque separar o filme da dimensão política que o rodeia. há quem considere que a palma de ouro se explica tanto pelo simbolismo político, como pelas qualidades cinematográficas da obra.

recomendo-o vivamente.

Imagens: Google Search Images

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mataste-me inúmeras vezes. esqueceste-o? sou um um morto-vivo .
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domingo, 23 de agosto de 2026

o convite

 

 [ bom ]

título original. the invite.
género. drama. comédia.
duração. 1h 47m
ano.
2026
realização. olivia wilde.
argumento. cesc gay. rashida jones. will mccormack. 
 
protagonistas. olivia wilde
. seth rogen. penélope cruz. edward norton.

sinopse. dois casais vizinhos jantam juntos pela primeira vez, com a dinâmica entre os quatro a dar origem a conversas e situações inesperadas. [imdb]
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o convite, realizado por olivia wilde, tem um elenco sólido e diálogos com um bom ritmo, que mantêm o espectador interessado no que se passa entre as personagens.

é um filme em que muito do interesse está menos naquilo que acontece, e sim naquilo que as pessoas dizem ou deixam por dizer.

é um remake do filme espanhol sentimental, de cesc gay, que não vi, mas pelo trailer, é evidente que teve uma abordagem mais cómica. aqui, enveredou-se por um registo mais dramático e emocional, ainda que haja espaço para momentos de humor.

os temas do casamento, da intimidade e das dinâmicas de casal são terreno fértil porque há sempre algo que nos ressoa como legítimo: gestos, silêncios e discussões com uma (desconfortável) familiaridade.

 

o excelente quarteto de actores é composto por seth rogen (superbad; the interview), penélope cruz (vicky cristina barcelona; volver), edward norton (fight club; american history x) e olivia wilde (house; tron: legacy).

o convite é um filme (deliberadamente) ambíguo, que mostra como a comunicação é essencial nas relações humanas e como a acumulação de silêncios e tensões pode parecer, tantas vezes, a opção mais fácil, mas dificilmente conduz a um final feliz.

Imagens: Google Search Images

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we love a contentious environment .
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domingo, 9 de agosto de 2026

águas profundas

 

[ fraco ]

título original. deep water.
género. terror. thriller.
duração. 1h 46m
ano.
2026
realização. renny harlin.
argumento. pete bridges. s.p. krause. shayne armstrong.
 
protagonistas. aaron eckhart. ben kingsley
. angus sampson. lucy barrett. molly belle wright. nashy. lakota johnson. richard crouchley.

sinopse. um voo intercontinental faz uma aterragem de emergência em águas infestadas de tubarões. [imdb]
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águas profundas é o segundo filme de renny harlin (die hard 2 – assalto ao aeroporto; mindhunters) com tubarões. o primeiro foi deep blue sea/perigo no oceano, em 1999, que se tornou icónico dentro do género.

os filmes com tubarões saem quase sempre nos meses de verão, e enchem salas de cinema. nem todos têm o nível de jaws (ler apontamento), mas raramente falham em dar lucro, principalmente quando se baseiam em factos verídicos, como o the reef (ler apontamento).

águas profundas começa por nos apresentar rapidamente o grupo de pessoas que iremos acompanhar durante as próximas duas horas. tem de ser breve porque nem todos chegarão vivos ao destino. primeiro há o despenhamento do avião, e depois, as águas infestadas de tubarões.

sem surpresa, é nas sequências de acção que o filme funciona, ou não soubesse renny harlin da poda.

o despenhamento está bem feito, tenso e com bons pormenores, e as aparições dos tubarões proporcionam os saltos que se procuram. num filme deste género, explicar demasiado é desnecessário e o que interessa é colocar as personagens à mercê dos elementos depressa.

são esses os pontos fortes do filme: a acção e o ritmo.

 

o problema é que o filme tem de sobreviver ao próprio argumento. e aí afunda, passe a piada fácil.

os diálogos são cheios de lugares-comuns e as personagens demasiado superficiais para serem mais do que carne para canhão. os efeitos digitais dos tubarões nem sempre ajudam a criar a tensão pretendida - há um par de cenas em que o cgi é simplesmente mau.

assim, águas profundas é entretenimento de verão com pessoas a tentar sobreviver à queda de um avião e a ataques de tubarão.

apesar de algumas caras conhecidas no elenco, entre um argumento implausível e personagens ocas, é o que é. e não exige grande coisa ao espectador.

e, no cinema de tubarões, isso pode ser suficiente para duas horas de entretenimento. ou não.

Imagens: Google Search Images

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we've just got to hold on!
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segunda-feira, 20 de julho de 2026

masters of the universe

 

[ bom ]

título original. masters of the universe.
género. aventura. fantasia.
duração. 2h 20m
ano.
2026
realização. travis knight.
argumento. chris butler. aaron nee. adam nee.
 
protagonistas. nicholas galitzine
. camila mendes. idris elba. jared leto. alison brie. james purefoy. morena baccarin. jon xue zhang.

sinopse. após vários anos, o príncipe adam regressa a eternia, devastada pelo maléfico skeletor. [imdb]
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cresci a ver vários desenhos animados, quase todos estrangeiros e dobrados em brasileiro, algo normal para os meus contemporâneos dos anos 80.

he-man foi um desses desenhos animados, com bons momentos passados frente à televisão com irmão e primos, na pausa de brincadeiras.

assim, houve um apelo emocional da minha parte em voltar a ver a espada do poder, o castelo de grayskull e todos os “bonecos” ganharem vida no grande ecrã.

masters of the universe portou-se bem aos meus olhos, num reencontro feliz com um universo de magia e aventura.

no filme, decidiu-se iniciar a história de adam no planeta terra, aproximando-o mais da história do super-homem do que da estrutura da série animada. não veio mal ao mundo com esta escolha. vemos como adam se sente deslocado num quotidiano aborrecido, e como se refugia num mundo imaginário.

na primeira parte do filme, a narrativa centra-se em adam e na sua passagem para a idade adulta. mais do que uma arma mágica, a espada do poder é um símbolo de responsabilidade e aceitação do seu papel como herdeiro do reino de eternia.

na segunda parte, e já no planeta de origem, há uma adaptação e estranheza antes de assumir o que é esperado dele e a luta com o vilão de serviço. antes, durante e depois, há várias piadas, patetices e o tom descontraído de um filme que não se leva muito a sério. 

destaque para nicholas galitzine (cinderela; a ideia de ti), que, apesar de ser fisicamente convincente, está mais à vontade como adam do que como he-man, e isto porque o filme investe mais na transformação emocional do protagonista do que na sua imponência física. jared leto (o clube de dallas; requiem for a dream) interpreta um skeletor inquietante e com umas tiradas engraçadas (fiel aos desenhos animados), com um visual muito bem conseguido.

e visualmente ainda, eternia convence como um verdadeiro mundo de fantasia épica, com bons efeitos especiais e uma estética leal à mattel.

masters of the universe resulta porque assume ser um conto de magia e heroísmo, e porque o realizador travis knight (bumblebee; kubo) tratou o material de origem com respeito.

e é isso: gostei do tom aventureiro e franco do filme, apesar das fragilidades do argumento e de um humor pateta (que resulta!).

no final, torna-se claro que o projecto é o de lançar uma franquia com he-man no centro da acção, abrindo ainda a porta a she-ra/princesa adora, a princesa guerreira e sua irmã gémea – yep, outro desenho animado que vimos na mesma altura de he-man.

uma nota ainda para a banda sonora, elevada pela presença de uma das faixas imortais dos queen (princes of the universe).

masters of the universe é cinema-pipoca do bom, de onde saímos bem dispostos por termos revisitado a nossa infância.

Imagens: Google Search Images

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you fools. you dolts! you blockheads! you pathetic pile of pitiful pissheads! i want that sword, do you hear me? i want that sword! it's mine! mine! mine!
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