segunda-feira, 20 de julho de 2026

masters of the universe

 

[ bom ]

título original. masters of the universe.
género. aventura. fantasia.
duração. 2h 20m
ano.
2026
realizaçãotravis knight.
argumentochris butler. aaron nee. adam nee.
 
protagonistas. nicholas galitzine
. camila mendes. idris elba. jared leto. alison brie. james purefoy. morena baccarin. jon xue zhang.

sinopse. após vários anos, o príncipe adam regressa a eternia, devastada pelo maléfico skeletor. [imdb]
---

cresci a ver vários desenhos animados, quase todos estrangeiros e dobrados em brasileiro, algo normal para os meus contemporâneos dos anos 80.

he-man foi um desses desenhos animados, com bons momentos passados frente à televisão com irmão e primos, na pausa de brincadeiras.

assim, houve um apelo emocional da minha parte em voltar a ver a espada do poder, o castelo de grayskull e todos os “bonecos” ganharem vida no grande ecrã.

masters of the universe portou-se bem aos meus olhos, num reencontro feliz com um universo de magia e aventura.

no filme, decidiu-se iniciar a história de adam no planeta terra, aproximando-o mais da história do super-homem do que da estrutura da série animada. não veio mal ao mundo com esta escolha. vemos como adam se sente deslocado num quotidiano aborrecido, e como se refugia num mundo imaginário.

na primeira parte do filme, a narrativa centra-se em adam e na sua passagem para a idade adulta. mais do que uma arma mágica, a espada do poder é um símbolo de responsabilidade e aceitação do seu papel como herdeiro do reino de eternia.

na segunda parte, e já no planeta de origem, há uma adaptação e estranheza antes de assumir o que é esperado dele e a luta com o vilão de serviço. antes, durante e depois, há várias piadas, patetices e o tom descontraído de um filme que não se leva muito a sério. 

destaque para nicholas galitzine (cinderela; a ideia de ti), que, apesar de ser fisicamente convincente, está mais à vontade como adam do que como he-man, e isto porque o filme investe mais na transformação emocional do protagonista do que na sua imponência física. jared leto (o clube de dallas; requiem for a dream) interpreta um skeletor inquietante e com umas tiradas engraçadas (fiel aos desenhos animados), com um visual muito bem conseguido.

e visualmente ainda, eternia convence como um verdadeiro mundo de fantasia épica, com bons efeitos especiais e uma estética leal à mattel.

masters of the universe resulta porque assume ser um conto de magia e heroísmo, e porque o realizador travis knight (bumblebee; kubo) tratou o material de origem com respeito.

e é isso: gostei do tom aventureiro e franco do filme, apesar das fragilidades do argumento e de um humor pateta (que resulta!).

no final, torna-se claro que o projecto é o de lançar uma franquia com he-man no centro da acção, abrindo ainda a porta a she-ra/princesa adora, a princesa guerreira e sua irmã gémea – yep, outro desenho animado que vimos na mesma altura de he-man.

uma nota ainda para a banda sonora, elevada pela presença de uma das faixas imortais dos queen (princes of the universe).

masters of the universe é cinema-pipoca do bom, de onde saímos bem dispostos por termos revisitado a nossa infância.

Imagens: Google Search Images

»»»
. 
you fools. you dolts! you blockheads! you pathetic pile of pitiful pissheads! i want that sword, do you hear me? i want that sword! it's mine! mine! mine!
»»»

domingo, 5 de julho de 2026

a morte de robin hood

 

[ bom ]

título original. the death of robin hood.
género. drama.
duração. 2h 02m
ano.
2026
realização e argumentomichael sarnoski.
 
protagonistas. hugh jackman
. jodi comer. bill skarsgard. faith delaney. noah jupe. murray bartlett.

sinopse. nos últimos anos de vida, robin hood é um homem atormentado por décadas de violência. [imdb]
---

a morte de robin hood apresenta-se menos como uma adaptação da lenda clássica, e mais como uma releitura do mito – a expressão “desconstrução” tem sido bastante mencionada online.

para mim, o filme divide-se claramente em duas partes: a primeira como uma fantasia macabra e violenta da figura de robin hood; a segunda como uma história de redenção de um homem envelhecido, que rejeita a lenda heróica que se construiu ao redor do seu nome.

gostei da atmosfera, das paisagens, e da recriação do ambiente medieval inglês do século xiii. o filme avança devagar, apesar da violência inicial. a fotografia é muito boa, embora algumas cenas tenham demasiado nevoeiro e alguns diálogos sejam difíceis de perceber devido a sotaques ou dicção – vi na versão original com legendas em francês, que foram essenciais em algumas partes.

já que estou nesse tópico, achei os temas dos diálogos um dos pontos fortes: fé, equilíbrio, perda e arrependimento trouxeram profundidade ao argumento. nesses momentos, confirmamos que o filme está menos interessado na “lenda de robin hood” e bastante mais no homem por detrás da mesma.

hugh jackman (wolverine) tem uma interpretação sólida; não reconheci bill skarsgard (it; the crow) mas gostei do seu joão pequeno; jodie comer (killing eve; dr foster) é, como sempre, excelente na nuance emocional.

gostei menos do ritmo, quando o filme abranda drasticamente após os primeiros 40 minutos. o arco de redenção é previsível.

fiquei com a sensação de que o cerne da história nem sequer precisava de robin hood. a figura lendária parece funcionar como um anzol para atrair espectadores. 

desaparecem os merry men e o fora-da-lei brincalhão que rouba aos ricos para dar aos pobres. a tal desconstrução que mencionei acima rejeita aquilo que tornou a lenda duradoura: o idealismo, o sentido de justiça, a esperança, o prazer da aventura. no seu lugar, resta um homem desagradável e atormentado pelo seu passado, sem qualquer dimensão heróica.

continuo a preferir versões mais fiéis ao espírito da personagem (como os filmes com kevin costner e sean connery), mas sobretudo o clássico de animação da disney e a deliciosa paródia de mel brooks robin hood: heróis em collants, com cary elwes. são versões que compreendem que robin hood pode assumir diferentes tons sem perder a sua identidade.

não é um mau filme e a ideia de explorar os últimos dias de robin hood é boa.

a execução é emocionalmente distante e dificilmente fará deste um sucesso comercial ou um filme memorável. o conceito merecia um filme melhor: o meu bom aqui é "bom menos".

Imagens: Google Search Images

»»»
. 
he was not a hero. he was a murderous brigand .
»»»

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...