domingo, 11 de outubro de 2026

a zona de interesse

 

[ obra-prima ]

título original. the zone of interest.
género. drama histórico. guerra.
duração. 1h 45m
ano.
2023
realização. jonathan glazer.
argumento. jonathan glazer. martin amis (livro).
 
protagonistas. christian friedel
. sandra hüller. johann karthaus. lilli falk. luis noah witte. kalman wilson. medusa knopf.

sinopse. o comandante de auschwitz vive ao lado do campo com a família, numa situação aparentemente idílica e desconectada do sofrimento alheio. [imdb]
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a zona de interesse, de jonathan glazer, é um filme perturbador sobre o holocausto.

o título da fita refere-se à interessengebiet, a “zona de interesse” criada pelos nazis em redor de auschwitz. 

a história acompanha a família de rudolf höss, comandante de auschwitz, instalada numa casa com jardim e piscina, literalmente encostada ao campo de concentração. enquanto as crianças brincam e a família leva uma vida normal, do outro lado do muro decorre o extermínio.

glazer filma com enorme contenção: um ritmo meticuloso, poucos movimentos de câmara, quase sem música.

é através do som que auschwitz se faz presente: comboios, tiros, gritos, chaminés em combustão. o que permanece invisível torna-se audível.

de um lado, temos encontros sociais no jardim, crianças na piscina, tarefas domésticas e conversas banais; do outro, os sons da máquina nazi de extermínio. 

a família höss parece ter aprendido a ignorar aquilo que acontece do outro lado do muro. a banalidade do mal manifesta-se aí.

como espectadores, ouvimos e compreendemos aquilo que as personagens se recusam a ver. somos obrigados a imaginar o que está fora do enquadramento.

algumas das cenas mais discretas reflectem histórias reais: a jovem polaca que deixa maçãs aos prisioneiros foi inspirada em alexandria, que glazer conheceu durante a investigação para o filme. tinha 12 anos quando, como membro da resistência polaca, se deslocava de bicicleta até ao campo para deixar comida aos prisioneiros esfomeados. encontrou também uma peça musical escrita por um deles, tocada numa das cenas do filme.

martin amis, escritor do romance que serviu de inspiração à obra, morreu a 19 de maio de 2023, precisamente no dia em que a zona de interesse teve a sua estreia mundial no festival de cannes.

steven spielberg descreveu-o como o melhor filme sobre o holocausto desde o seu próprio [a lista de schindler].

vi o filme três vezes, e o seu efeito não diminuiu. as interpretações são sublimes, a edição é magistral. o seu ritmo e contenção exigem reparo, com várias cenas que nos ficam gravadas na memória.

para mim, a zona de interesse é uma obra-prima do cinema.

outros apontamentos meus relacionados:
– jojo rabbit (2019)
– a conferência (2022)
– o desaparecimento de josef mengele (2025)
– nuremberga (2025)

Imagens: Google Search Images

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the life we enjoy is very much worth the sacrifice .
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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

resident evil

 

[ bom ]

título original. resident evil.
género. terror. ficção científica. acção.
duração. 1h 34m
ano.
2026
realização. zach cregger.
argumento. zach cregger. shay hatten.
 
protagonistas. austin abrams
. kalis reis. zach cherry. will merrick. paul walter hauser.

sinopse. um transportador de material médico vê-se lançado numa corrida pela sobrevivência, quando tudo à sua volta colapsa. [imdb]
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não joguei todos os resident evil, mas quase.

e talvez seja por isso que uma das coisas que mais gostei neste novo filme de zach cregger (weapons) foi a quantidade de pequenos detalhes que parecem ter saído diretamente dos jogos de survival horror: as ervas, a máquina de escrever, os cartuchos para a caçadeira, a casa isolada...

o filme reproduz fielmente a sensação de estar dentro de um jogo resident evil; há toda a atmosfera, e a sensação de que o perigo pode estar ao virar da esquina.

os monstros são provavelmente um dos grandes trunfos do filme, juntamente com uns sustos eficazes e bom suspense. em vários momentos, a câmara passa para uma perspectiva na primeira pessoa, acompanhando a mira da arma do protagonista como se estivéssemos num first-person shooter.

a sequência onde bryan sai do carro e entra na floresta coberta de neve, lembra uma das cenas de resident evil village, um dos meus favoritos da série.

bryan (austin abrams, euphoria, weapons), aliás, é uma das grandes razões pelas quais o filme resulta. é um estafeta encarregado de entregar material médico a raccoon city e começa, aos poucos, a perceber que alguma coisa não bate certo. a cidade foi alvo de uma fuga de vírus da umbrella corporation e, naturalmente, o pacote que ele transporta é crucial.

o problema é que parece que zach cregger não confia plenamente no horror. quando a atmosfera é excelente e algumas sequências são realmente assustadoras, o filme parece sentir necessidade de transformar o susto numa coisa mais absurda.

o tipo nos esgotos, por exemplo, surge de uma forma aleatória, como uma distracção.

não sou fã dos filmes anteriores, porque, para mim, levaram a franquia para o território da acção centrada na personagem de milla jovovich, tipo super-herói, criada de propósito para o ecrã.

neste novo filme, gostei de encontrar algo muito mais próximo do espírito dos vídeojogos.

não é um filme perfeito, mas é uma maneira bastante divertida de passar hora e meia dentro de resident evil sem o estar a jogar.

outro apontamento meu relacionado:
– resident evil retaliação (2019)

Imagens: Google Search Images

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god damn it. i fucking suck at guns .
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