género. drama.
duração. 2h 02m
ano. 2026
protagonistas. hugh jackman. jodi comer. bill skarsgard. faith delaney. noah jupe. murray bartlett.
a morte de robin hood apresenta-se menos como uma adaptação da lenda clássica, e mais como uma releitura do mito – a expressão “desconstrução” tem sido bastante mencionada online.
para mim, o filme divide-se claramente em duas partes: a primeira como uma fantasia macabra e violenta da figura de robin hood; a segunda como uma história de redenção de um homem envelhecido, que rejeita a lenda heróica que se construiu ao redor do seu nome.
gostei da atmosfera, das paisagens, e da recriação do ambiente medieval inglês do século xiii. o filme avança devagar, apesar da violência inicial. a fotografia é muito boa, embora algumas cenas tenham demasiado nevoeiro e alguns diálogos sejam difíceis de perceber devido a sotaques ou dicção – vi na versão original com legendas em francês, que foram essenciais em algumas partes.
já que estou nesse tópico, achei os temas dos diálogos um dos pontos fortes: fé, equilíbrio, perda e arrependimento trouxeram profundidade ao argumento. nesses momentos, confirmamos que o filme está menos interessado na “lenda de robin hood” e bastante mais no homem por detrás da mesma.
hugh jackman (wolverine) tem uma interpretação sólida; não reconheci bill skarsgard (it; the crow) mas gostei do seu joão pequeno; jodie comer (killing eve; dr foster) é, como sempre, excelente na nuance emocional.
gostei menos do ritmo, quando o filme abranda drasticamente após os primeiros 40 minutos. o arco de redenção é previsível.
fiquei com a sensação de que o cerne da história nem sequer precisava de robin hood. a figura lendária parece funcionar como um anzol para atrair espectadores.
desaparecem os merry men e o fora-da-lei brincalhão que rouba aos ricos para dar aos pobres. a tal desconstrução que mencionei acima rejeita aquilo que tornou a lenda duradoura: o idealismo, o sentido de justiça, a esperança, o prazer da aventura. no seu lugar, resta um homem desagradável e atormentado pelo seu passado, sem qualquer dimensão heróica.
continuo a preferir versões mais fiéis ao espírito da personagem (como os filmes com kevin costner e sean connery), mas sobretudo o clássico de animação da disney e a deliciosa paródia de mel brooks robin hood: heróis em collants, com cary elwes. são versões que compreendem que robin hood pode assumir diferentes tons sem perder a sua identidade.
não é um mau filme e a ideia de explorar os últimos dias de robin hood é boa.
a execução é emocionalmente distante e dificilmente fará deste um sucesso comercial ou um filme memorável. o conceito merecia um filme melhor: o meu bom aqui é "bom menos".
Imagens: Google Search Images
. he was not a hero. he was a murderous brigand .
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