género. drama histórico. guerra.
duração. 1h 45m
ano. 2023
argumento. jonathan glazer. martin amis (livro).
protagonistas. christian friedel. sandra hüller. johann karthaus. lilli falk. luis noah witte. kalman wilson. medusa knopf.
a zona de interesse, de jonathan glazer, é um filme perturbador sobre o holocausto.
o título da fita refere-se à interessengebiet, a “zona de interesse” criada pelos nazis em redor de auschwitz.
a história acompanha a família de rudolf höss, comandante de auschwitz, instalada numa casa com jardim e piscina, literalmente encostada ao campo de concentração. enquanto as crianças brincam e a família leva uma vida normal, do outro lado do muro decorre o extermínio.
glazer filma com enorme contenção: um ritmo meticuloso, poucos movimentos de câmara, quase sem música.
é através do som que auschwitz se faz presente: comboios, tiros, gritos, chaminés em combustão. o que permanece invisível torna-se audível.
de um lado, temos encontros sociais no jardim, crianças na piscina, tarefas domésticas e conversas banais; do outro, os sons da máquina nazi de extermínio.
a família höss parece ter aprendido a ignorar aquilo que acontece do outro lado do muro. a banalidade do mal manifesta-se aí.
como espectadores, ouvimos e compreendemos aquilo que as personagens se recusam a ver. somos obrigados a imaginar o que está fora do enquadramento.
algumas das cenas mais discretas reflectem histórias reais: a jovem polaca que deixa maçãs aos prisioneiros foi inspirada em alexandria, que glazer conheceu durante a investigação para o filme. tinha 12 anos quando, como membro da resistência polaca, se deslocava de bicicleta até ao campo para deixar comida aos prisioneiros esfomeados. encontrou também uma peça musical escrita por um deles, tocada numa das cenas do filme.
martin amis, escritor do romance que serviu de inspiração à obra, morreu a 19 de maio de 2023, precisamente no dia em que a zona de interesse teve a sua estreia mundial no festival de cannes.
steven spielberg descreveu-o como o melhor filme sobre o holocausto desde o seu próprio [a lista de schindler].
vi o filme três vezes, e o seu efeito não diminuiu. as interpretações são sublimes, a edição é magistral. o seu ritmo e contenção exigem reparo, com várias cenas que nos ficam gravadas na memória.
para mim, a zona de interesse é uma obra-prima do cinema.
outros apontamentos meus relacionados:
– jojo rabbit (2019)
– a conferência (2022)
– o desaparecimento de josef mengele (2025)
– nuremberga (2025)
Imagens: Google Search Images
. the life we enjoy is very much worth the sacrifice .
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