género. terror. mistério.
duração. 1h 47m
ano. 2026
protagonistas. adam scott. peter coonan. david wilmot. florence ordesh. michael patric. brendan conroy. will o'connell.
hokum é a terceira longa-metragem de damian mccarthy, depois de caveat (2020) e oddity (2024) — o meu favorito dos três é oddity (apontamentos em breve).
para mim, este terceiro filme confirma o realizador e argumentista irlandês como uma das vozes mais interessantes do terror contemporâneo; mccarthy volta a recorrer ao folclore irlandês para construir uma atmosfera inquietante e melancólica: paisagens isoladas, superstições locais e espaços assombrados.
a história segue ohm bauman (adam scott, severance; parks and recreations), um escritor de bestsellers de terror que viaja para a irlanda para espalhar as cinzas dos pais. instalado no mesmo hotel onde estes passaram a lua de mel, ohm explora os bosques circundantes, conversa com os locais e tenta concluir o último volume da sua popular trilogia literária. desde o início, revela-se um homem antipático e pouco paciente com as crenças dos outros.
é precisamente aí que entra o significado do título. "hokum" refere-se a algo falso, enganador ou concebido para impressionar os crédulos, e grande parte do filme gira em torno da tensão entre crença e cepticismo. ohm despreza as histórias de bruxas, assombrações e desaparecimentos misteriosos que ouve dos habitantes da região, considerando-as pouco mais do que superstição. no entanto, à medida que os acontecimentos se tornam mais estranhos, torna-se cada vez mais difícil distinguir entre manipulação, ilusão psicológica e realidade sobrenatural.
depois de um acontecimento alterar o rumo da narrativa, hokum afasta-se gradualmente da estrutura convencional da história de fantasmas e transforma-se em algo mais psicológico e fragmentado.
adam scott tem uma interpretação sólida, como se estivesse sempre à beira de colapsar. o visual do filme reforça isso: os cenários têm tons frios, e há vários reflexos, sombras e corredores vazios. os elementos sobrenaturais são bons, com destaque para o arrepiante jack the donkey.
várias vezes pensei no filme 1408 (2007), devido aos temas de luto, culpa e redenção, mas hokum tem a sua própria identidade, com pequenos detalhes lançados no início a ganharem peso à medida que a narrativa avança.
hokum não reinventa o género, mas é uma experiência atmosférica, inteligente e perturbadora bastante sólida.
Imagens: Google Search Images
. get me out of here, man. get me out of here !
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