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domingo, 15 de fevereiro de 2026

nuremberga

 

[ bom ]

título original. nuremberg
género. drama histórico.
duração. 2h 28m
ano.
2025
realizaçãojames vanderbilt.
argumentojames vanderbilt. jack el-hai (livro).
 
protagonistas. rami malek
. russell crowe. michael shannon. leo woodall. richard e grant. john slattery. colin hanks. tom keune. wrenn schmidt. lotte verbeek.

sinopse. no fim da segunda guerra mundial, o psiquiatra militar douglas kelley foi incumbido de avaliar a sanidade dos criminosos de guerra julgados em nuremberga. entre eles, estava hermann göring, o número 2 do regime nazi. [imdb]
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o tribunal militar internacional, reunido na cidade de nuremberga, iniciou as suas sessões em novembro de 1945. criado pelas quatro potências aliadas, teve como objectivo julgar os altos responsáveis do terceiro reich por crimes contra a paz, crimes de guerra e, pela primeira vez na história, crimes contra a humanidade.

a fita nuremberga é inspirada no livro de 2013 the nazi and the psychiatrist, de jack el-hai — à data deste apontamento, o livro não se encontrava publicado em portugal

nuremberga estreou nos cinemas norte-americanos em novembro de 2025, próximo do 80.º aniversário dos julgamentos que expuseram o funcionamento do regime nazi e revelaram ao mundo imagens inéditas dos campos de concentração.

[nb: relatos da época referem que alguns dos presentes desmaiaram ou choraram ao confrontarem-se com a escala industrial do genocídio.]

o filme de james vanderbilt (verdade) divide o foco dos julgamentos com o espaço confinado das entrevistas psiquiátricas realizadas entre 1945 e 1946. no centro está o embate entre rami malek (bohemian rahpsody, mr robot) como o major douglas kelley e russell crowe (gladiador, o exorcista do vaticano) como hermann göring, a figura mais carismática entre os réus.

o filme constrói-se como um thriller psicológico, entre diálogos e silêncios que mostram que o mal não se apresenta com traços grotescos.

crowe é o melhor do filme, com um göring afável e manipulador, que tenta reescrever a própria narrativa.

malek, bastante mais fraco, interpreta kelley com contenção e um olhar inquieto que tenta avaliar a aptidão de homens responsáveis por crimes de escala industrial.

o filme sublinha uma questão perturbadora e real: muitos dos acusados não apresentavam sinais de insanidade, sendo «normais» do ponto de vista psiquiátrico.

o filme é excessivamente convencional, o que faz sentido quando se quer esclarecer ao invés de chocar. vanderbilt é claro na sugestão de que o mal coexiste com racionalidade, cultura e inteligência.

 

relembro um filme que vi há uns meses, sobre josef mengele — apontamento aqui.

nuremberga é um drama sólido, bem interpretado, que cumpre uma função (quase) pedagógica.

a reflexão do historiador r.g. collingwood no final do filme — «só podemos prever o que o homem fará olhando para o que já fez» — mantém-se pertinente.

Imagens: Google Search Images

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. 
years from now, i wonder what you will say about us. will you even acknowledge we were human ?
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domingo, 9 de fevereiro de 2020

jojo rabbit

[ muito bom ]

título original. jojo rabbit.

género. drama. comédia. guerra.
duração. 1h 48min
ano.
 2019

realização e argumento. taika waititi.

protagonistas. taika watiti. roman griffin davis. scarlett johansson. thomasin mckenzie.
sinopse. um rapaz, membro da juventude hitleriana, descobre que a mãe está a esconder uma jovem judia. [imdb]
 
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esta noite são os óscares e a lista de nomeados a melhor filme é longa; jojo rabbit está entre os nomeados, e dos cinco (em nove) que vi, é um dos meus favoritos, a par com parasita


jojo tem 10 anos e vive numa cidade alemã nos últimos meses da segunda guerra mundial. o pai foi chamado para a frente de batalha e ele e a mãe vivem sozinhos. jojo é precoce mas naturalmente tímido, e quer ser como os outros meninos. sendo um rapaz do seu tempo, é fervoroso na sua defesa da ideologia nazi, crendo profundamente no que lhe é ensinado e envergando com orgulho o seu uniforme da juventude hitleriana. tem um amigo imaginário: pateta, espontâneo, que dança desengonçadamente... e é o sósia - versão maori - de hitler.


vamos seguindo a vida de jojo, semelhante à de tantas outras crianças alemãs na altura. torna-se bastante evidente como o ódio tem de ser ensinado para ser praticado. a mãe do protagonista tenta confrontar o filho com o extremismo das suas convicções sem revelar abertamente a sua própria ideologia. as cenas entre os dois são muito bonitas e enternecedoras; já as cenas entre jojo e a jovem judia são de confrontação e descoberta. à medida que jojo descobre outro tipo de amor, o ódio [aos judeus] deixa de fazer sentido.

e é isso que jojo rabbit é: a história de um rapaz que se apaixona e tem de manter a sua paixão secreta de toda a gente, incluindo dele mesmo, enquanto se apercebe de que a maioria dos adultos que o rodeiam lhe mente e são eles mesmos infantis nas suas convicções e no seu ódio. os diálogos são eficazes e o realizador/argumentista (que interpreta hitler) rouba todas as cenas em que aparece, a par com o melhor amigo de jojo (o estreante archie yates).


jojo rabbit nunca tenta ser um filme sobre o holocausto, e os momentos dramáticos são escassos e atenuados, mas subtilmente refere-se a várias atrocidades cometidas nessa altura. os diálogos entre adultos são irónicos e baseados na propaganda nazi da altura. várias personagens são caricaturas, as suas acções risíveis (como a cena em que o protocolo nazi do "heil hitler" é ridicularizado).

no final, o bem triunfa. a vida é bela; e dançar é obrigatório.

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. you're not a nazi, jojo. you're a ten-year-old kid who likes dressing up in a funny uniform and wants to be part of a club .
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