género. drama. crime.
duração. 1h 43m
ano. 2025
argumento. jafar panahi. nader saeivar. shadmehr rastin.
protagonistas. vahid mobasseri. mariam afshari. ebrahim azizi. hadis pakbaten. majid panahi. delmaz najafi. mohamad ali elyasmehr. omid reza.
foi só um acidente, de jafar panahi (táxi), começa com um som que desencadeia toda a história.
uma noite, uma família regressa a casa de carro quando sofrem um pequeno acidente. quando param para pedir ajuda a dois indivíduos, um destes, vahid, julga reconhecer o ranger da prótese do condutor. está convencido de que o homem é eghbal, o seu carrasco quando esteve na prisão. vahid nunca lhe viu o rosto porque estava sempre vendado durante os interrogatórios.
enraivecido, acaba por raptar o homem; leva-o numa carrinha até ao deserto com a intenção de o enterrar vivo. mas hesita no último momento, e decide procurar outras vítimas de eghbal para lhe confirmar a identidade.
grande parte do filme decorre dentro da carrinha, num espaço mínimo onde os antigos prisioneiros se acumulam e discutem justiça, vingança e perdão.
nos filmes iranianos que tenho visto recentemente (como a semente do figo sagrado, de mohammad rasoulof), o mal surge ligado ao medo e à violência do regime dos aiatolas, num terror constante para quem o vive no quotidiano – foi só um acidente não é excepção.
visualmente, o filme tem um realismo muito próximo do documentário. o elenco reforça isso: o único actor profissional é o que interpreta o possível ex-carrasco.
a ideia para o argumento surgiu durante a segunda passagem de panahi pela prisão, entre 2022 e 2023, quando conviveu com centenas de presos políticos e opositores do regime.
foi só um acidente foi depois rodado clandestinamente, em vinte dias. a pós-produção foi concluída em paris, longe do alcance das autoridades iranianas.
pela primeira vez em vinte anos, o realizador foi autorizado a sair do irão para apresentar a obra no festival de cannes. o resultado foi histórico: foi só um acidente venceu a palma de ouro da 78.ª edição do festival, em 2025, e tornou-se também o primeiro filme iraniano nomeado para os globos de ouro (não ganhou).
enquanto promovia o filme no estrangeiro, panahi foi condenado in absentia a um ano de prisão e proibido de viajar por alegadas “actividades de propaganda”. volta sempre ao país porque «é a sua pátria».
não há porque separar o filme da dimensão política que o rodeia. há quem considere que a palma de ouro se explica tanto pelo simbolismo político, como pelas qualidades cinematográficas da obra.
recomendo-o vivamente.
Imagens: Google Search Images
. mataste-me inúmeras vezes. esqueceste-o? sou um um morto-vivo .
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