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sábado, 14 de março de 2026

o mago do kremlin

 [ razoável ]


título original. the wizard of the kremlin
género. drama político. thriller.
duração. 2h 32m
ano.
2025
realizaçãoolivier assayas.
argumentoolivier assayas. emmanuel carrère. giuliano da empoli (livro).
 
protagonistas. paul dano
.  jude law. alicia vikander. tom sturridge. will keen. jeffrey wright. dan cade. matthew baunsgard.

sinopse. o produtor de um reality show torna-se um estratega indispensável para a ascensão de vladimir putin. [imdb]
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baseado no romance homónimo de giuliano da empoli — ler o meu apontamento sobre o livro aqui —, o mago do kremlin foi distinguido em cannes com o prémio de melhor realizador para olivier assayas.

o elenco reúne nomes de peso, incluindo a óscarizada alicia vikander (the danish girl), jude law (closer; the talented mr ripley) e jeffrey wright (american fiction). 

o filme segue vadim baranov (paul dano, there will be blood), um estratega excepcional que, no rescaldo do colapso soviético, ascende a conselheiro informal de vladimir putin (jude law), desempenhando um papel decisivo na construção da propaganda do novo poder russo — uma figura conhecida como spin doctor, um mestre em reformular a percepção de uma questão ou evento para reduzir o seu impacto negativo na opinião pública.

entre os dois instala-se uma dinâmica ambígua de cumplicidade e tensão.

mais do que uma biografia disfarçada, a obra propõe uma reflexão sobre os media e a manipulação narrativa como ferramentas de domínio, revelando como, nos bastidores da política, a fronteira entre verdade e estratégia se torna difusa.

o filme é uma sucessão de cenas incómodas e perturbadoras, onde não existem as bolhas de oxigénio do livro de empoli, pontuadas por apontamentos de baranov sobre literatura, relações afectivas e a vida cosmopolita em moscovo.

às vezes parece uma sátira, outras um documentário — "nem carne nem peixe".

não achei o mago do kremlin particularmente mau — é um testemunho político-social relevante e nauseante.

as filmagens ocorreram na letónia. 

Imagens: Google Search Images

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i lived only for the future. my daughter also gave me a present to live for .
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segunda-feira, 21 de março de 2022

the batman

 

[ bom ]

título original. the batman.

género. acção. crime. thriller.
duração. 2h 56min
ano.
 2022

realização. matt reeves.
argumento. matt reeves. peter craig.

protagonistas. robert pattison. zoë kravitz. colin farrell. paul dano. jeffrey wright. andy serkis. john turturro.
sinopse. há dois anos que o homem-morcego surgiu para combater a criminalidade em gotham. quando alguém começa a assassinar figuras importantes, batman é forçado a investigar a corrupção oculta da cidade. [imdb]
 
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a acção de the batman passa-se no segundo ano de bruce wayne como o vigilante mascarado.

quando um indivíduo que assina como enigma começa a matar vips e a deixar mensagens para o homem-morcego, este aplica os seus dotes de detective para descobrir e apanhar o culpado, ao mesmo tempo que se apercebe da extrema corrupção que infesta a cidade. há uma tónica no lado de detective do homem-morcego que funciona, com a resolução dos enigmas a requererem capacidades intelectuais que os polícias locais não possuem.
 
é uma missão solitária, pois tirando o detective jim gordon, batman não tem aliados.

Fonte: Google Search Engine

o realizador matt reeves escreveu o argumento em co-autoria com peter craig, mas li que the batman é o seu projecto. li ainda que este será o primeiro filme de uma nova trilogia.
 
vários dias após ver o filme, alguns pormenores permanecem, quase todos visuais.
 
a gotham de matt reeves é apropriadamente sombria e underground para um thriller envolvente de quase três horas, pontuado com  assassinatos, corrupção e crime organizado. grande parte das cenas passam-se à noite, debaixo de chuva torrencial, e os dias são cinzentos, mantendo o tom soturno do filme. os primeiros minutos da fita, com o batman como narrador, cria um ambiente de sobressalto perfeito, "brincando" habilmente com as sombras e a escuridão - aliás, toda a fotografia do filme (a cargo de greig fraser) é excelente.
 
Fonte: Google Search Engine

o batman de robert pattison é motivado por um desejo de vingança mais do que pelo desejo de uma gotham melhor, atormentado ainda pela morte violenta dos pais quando criança
 
extremamente expressivo e envolvente quando encarna batman, pattison é, na minha opinião, menos bem conseguido sem a máscara e o fato (espectacular!), retratando um bruce wayne (esteticamente) demasiado emo para o meu gosto pessoal.
 
não é que prefira o retrato do mulherengo dos filmes passados, embora essa seja a imagem que bruce wayne cultiva para evitar qualquer suspeita que possa ser ele o batman; mas o cabelo e o beicinho não funcionam bem, embora seja fácil de antecipar uma imagem mais sofisticada em filmes futuros, à medida que o batman ganha popularidade em gotham e o multimilionário bruce wayne ganhe mais à-vontade na pele do seu alter-ego e da sua extensa fortuna.

Fonte: Google Search Engine

outro ponto positivo neste novo batman é a quase ausência de gadgets futuristas (tirando umas lentes de contacto à james bond) e as cenas de acção e de combate, revelando um batman intrépido e bastante físico.
 
por outro lado, gostei menos da forma como o submundo do crime organizado é retratado, servindo mais para encher cenas. por que não desenvolveram mais algumas cenas sobre a droga da moda, tomada sob a forma de solução ocular? poderiam ter sido dispensados alguns minutos extra a desenvolver este aspecto, quiçá encurtando outros.

Fonte: Google Search Engine

o novo elenco é talentoso e diverso: gostei da nova catwoman, mais independente e terra-a-terra do que as anteriores - embora a história da trabalhadora da noite seja batida e não ache que haja grande química entre os actores (reconheço que é difícil chegar ao nível de michelle pfeiffer e michael keaton, no filme de 1989) -; o novo alfred aparece pouco mas reforça o papel paternal e cuidador que tem na vida de bruce wayne; colin farell está irreconhecível como penguin (e tive pena que não aparecesse em mais cenas e o tenham utilizado mais como comic relief do que como crime boss) e paul dano interpreta um vilão arrepiantemente tresloucado.
 
no entanto, achei as relações entre as personagens um pouco superficiais e a história não me envolveu tanto como na trilogia de nolan (mais uma vez, reconheço que é uma tarefa muito difícil). as cenas finais deixaram-se resvalar um pouco para o cliché.

com quase três horas, esta é, presentemente, a adaptação mais longa do justiceiro batman. percebo as escolhas feitas em termos de argumento, mas esperava mais impacto emocional. é um bom filme mas tem fragilidades que são, talvez, propositadas, a pensar na(s) sequela(s) pela mesma equipa de argumentistas e realizador. a ver.

the batman salda-se numa adaptação inteligente do mítico homem-morcego, onde (quase) todas as inovações funcionam.

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. what's black and blue and dead all over? you .

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