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domingo, 5 de abril de 2026

o drama

 

 [ bom ]

título original. .
género. drama. comédia.
duração. 1h 45m
ano.
2026
realização e argumentokristoffer borgli.
 
protagonistas. robert pattison
. zendaya. alana haim. mamoudou athie. hailey gates. jordyn curet. sydney lemmon.

sinopse. a uma semana de se casarem, a relação de um casal é posta à prova após uma revelação inesperada. [imdb]
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o drama, protagonizado por zendaya (euphoria; dune) como emma e robert pattinson (twilight; the batman) como charlie, é um estudo da intimidade, onde a tensão está no que não é dito.

o filme centra-se na dinâmica de um casal cuja relação parece funcional, mas que revela fragilidades quando se notam as falhas de comunicação.

o ponto de viragem acontece num jantar bem regado entre amigos, a uns dias do casamento de emma e charlie, onde cada um fala da pior coisa que já fez na vida.

um dos aspectos mais interessantes da fita é a distinção entre comunicação autêntica e performativa. as conversas entre as personagens raramente são directas: há códigos sociais, expectativas e uma constante recriminação.

cada um tenta preservar uma determinada imagem de si mesmo dentro da relação, o que os afasta.

kristoffer borgli, o realizador e argumentista (dream scenario), propõe-nos uma ideia desconfortável: mesmo nas relações mais íntimas, não deixamos de representar.

o elenco é sólido, com as interpretações dos protagonistas a serem contidas, com muitas pausas e variações no tom de voz. o resultado é uma dinâmica que nunca explode, mas também nunca estabiliza.

os actores de apoio não destoam — alana haim (licorice pizza) é realmente detestável e mamoudou athie (arquivo 81 — talvez escreva aqui sobre a série) não tem muito que fazer, mas o seu talento é óbvio.

o drama não oferece respostas nem soluções fáceis. em vez disso, propõe uma observação à lupa das relações humanas contemporâneas, onde a comunicação é (frequentemente) substituída por performance e onde a intimidade não elimina a necessidade de representar.

é um filme desconfortável e que recomendo.

Imagens: Google Search Images

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. 
remember, you know each other very well .
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segunda-feira, 21 de março de 2022

the batman

 

[ bom ]

título original. the batman.

género. acção. crime. thriller.
duração. 2h 56min
ano.
 2022

realização. matt reeves.
argumento. matt reeves. peter craig.

protagonistas. robert pattison. zoë kravitz. colin farrell. paul dano. jeffrey wright. andy serkis. john turturro.
sinopse. há dois anos que o homem-morcego surgiu para combater a criminalidade em gotham. quando alguém começa a assassinar figuras importantes, batman é forçado a investigar a corrupção oculta da cidade. [imdb]
 
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a acção de the batman passa-se no segundo ano de bruce wayne como o vigilante mascarado.

quando um indivíduo que assina como enigma começa a matar vips e a deixar mensagens para o homem-morcego, este aplica os seus dotes de detective para descobrir e apanhar o culpado, ao mesmo tempo que se apercebe da extrema corrupção que infesta a cidade. há uma tónica no lado de detective do homem-morcego que funciona, com a resolução dos enigmas a requererem capacidades intelectuais que os polícias locais não possuem.
 
é uma missão solitária, pois tirando o detective jim gordon, batman não tem aliados.

Fonte: Google Search Engine

o realizador matt reeves escreveu o argumento em co-autoria com peter craig, mas li que the batman é o seu projecto. li ainda que este será o primeiro filme de uma nova trilogia.
 
vários dias após ver o filme, alguns pormenores permanecem, quase todos visuais.
 
a gotham de matt reeves é apropriadamente sombria e underground para um thriller envolvente de quase três horas, pontuado com  assassinatos, corrupção e crime organizado. grande parte das cenas passam-se à noite, debaixo de chuva torrencial, e os dias são cinzentos, mantendo o tom soturno do filme. os primeiros minutos da fita, com o batman como narrador, cria um ambiente de sobressalto perfeito, "brincando" habilmente com as sombras e a escuridão - aliás, toda a fotografia do filme (a cargo de greig fraser) é excelente.
 
Fonte: Google Search Engine

o batman de robert pattison é motivado por um desejo de vingança mais do que pelo desejo de uma gotham melhor, atormentado ainda pela morte violenta dos pais quando criança
 
extremamente expressivo e envolvente quando encarna batman, pattison é, na minha opinião, menos bem conseguido sem a máscara e o fato (espectacular!), retratando um bruce wayne (esteticamente) demasiado emo para o meu gosto pessoal.
 
não é que prefira o retrato do mulherengo dos filmes passados, embora essa seja a imagem que bruce wayne cultiva para evitar qualquer suspeita que possa ser ele o batman; mas o cabelo e o beicinho não funcionam bem, embora seja fácil de antecipar uma imagem mais sofisticada em filmes futuros, à medida que o batman ganha popularidade em gotham e o multimilionário bruce wayne ganhe mais à-vontade na pele do seu alter-ego e da sua extensa fortuna.

Fonte: Google Search Engine

outro ponto positivo neste novo batman é a quase ausência de gadgets futuristas (tirando umas lentes de contacto à james bond) e as cenas de acção e de combate, revelando um batman intrépido e bastante físico.
 
por outro lado, gostei menos da forma como o submundo do crime organizado é retratado, servindo mais para encher cenas. por que não desenvolveram mais algumas cenas sobre a droga da moda, tomada sob a forma de solução ocular? poderiam ter sido dispensados alguns minutos extra a desenvolver este aspecto, quiçá encurtando outros.

Fonte: Google Search Engine

o novo elenco é talentoso e diverso: gostei da nova catwoman, mais independente e terra-a-terra do que as anteriores - embora a história da trabalhadora da noite seja batida e não ache que haja grande química entre os actores (reconheço que é difícil chegar ao nível de michelle pfeiffer e michael keaton, no filme de 1989) -; o novo alfred aparece pouco mas reforça o papel paternal e cuidador que tem na vida de bruce wayne; colin farell está irreconhecível como penguin (e tive pena que não aparecesse em mais cenas e o tenham utilizado mais como comic relief do que como crime boss) e paul dano interpreta um vilão arrepiantemente tresloucado.
 
no entanto, achei as relações entre as personagens um pouco superficiais e a história não me envolveu tanto como na trilogia de nolan (mais uma vez, reconheço que é uma tarefa muito difícil). as cenas finais deixaram-se resvalar um pouco para o cliché.

com quase três horas, esta é, presentemente, a adaptação mais longa do justiceiro batman. percebo as escolhas feitas em termos de argumento, mas esperava mais impacto emocional. é um bom filme mas tem fragilidades que são, talvez, propositadas, a pensar na(s) sequela(s) pela mesma equipa de argumentistas e realizador. a ver.

the batman salda-se numa adaptação inteligente do mítico homem-morcego, onde (quase) todas as inovações funcionam.

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. what's black and blue and dead all over? you .

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