domingo, 23 de junho de 2013

o tubarão


muito bom ]

título original. jaws.

género. thriller. terror.

duração. 124 min
ano.
1975
realização. steven spielberg.
argumentopeter benchley. carl gottlieb.
protagonistas. roy scheider. robert shaw. richard dreyfuss. lorraine garry.
sinopse. um gigantesco tubarão branco chega às praias de amity, semeando o pânico. cabe ao chefe de polícia lidar com a ameaça. [imdb-do-filme]

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o tubarão / jaws é baseado no best-seller homónimo de peter benchley, que já tive oportunidade de ler e comentar no bué de livros. é um bom livro, que o autor estava longe de imaginar que resultasse no filme icónico de spielberg, uma verdadeira referência cinematográfica que influenciou milhões de espectadores.

este quint é mau como as cob..., err, os tubarões!

a acção passa-se na ilha de amity, uma estância balnear por excelência; os seus pacatos habitantes vivem para os meses em que os veraneantes enchem os hotéis, restaurantes e praias da localidade. quando uma jovem morre em circunstâncias invulgares numa das praias, o caso é desvalorizado e rapidamente esquecido, mas o chefe de polícia, brody, não desiste de investigar, mesmo quando começa a ser pressionado para ignorar o que se passa; recorrendo a dois especialistas, brody não desiste de procurar e caçar o grande tubarão branco que aterroriza as praias e restaurar a paz em amity. mas o "peixão" não é pêra doce e vai dar luta, numa autêntica odisseia.

por pior que seja a situação, há sempre alguém com sentido de humor
o tubarão / jaws é todo ele uma experiência: ao excelente elenco junta-se um descomunal tubarão mecânico - a estrela do filme -, criando um imaginário de que todos os tubarões são máquinas assassinas que passam o tempo a rondar a praia. a música criada por john williams ajuda a reforçar a ideia de um predador implacável, que pode surgir a qualquer momento e fazer-nos em farrapos, aliando magistralmente suspense e terror. ainda hoje, quase quatro décadas depois, o filme é criticado por ter enraizado essa ideia errada de tal forma que causou a captura ilegal de milhares de tubarões, mas a carreira de spielberg começou aqui, com este filme.

este blockbuster ainda permanece uns dos melhores filmes de spielberg. o uso genial dos ângulos (ponto de vista do tubarão), o trabalho de câmara (a cena de brody na praia), a fotografia, as frases memoráveis (umas quatro, pelo menos), robert shaw como quint, os pontos altos são tantos que o saldo final é estelar.

o tubarão / jaws é um clássico incontornável, tão especial no seu género que nunca me canso de o rever, um feito incrível.

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. you're gonna need a bigger boat !

. and, you know, the thing about a shark... he's got lifeless eyes. black eyes. like a doll's eyes .

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domingo, 16 de junho de 2013

armadilha em alto mar


[ razoável ]

título original. open water 2: adrift.

género. drama. thriller.

duração. 95 min
ano.
2006
realização. hans horn. argumento. adam kreutner. david mitchell.

protagonistas. eric dane. susan may pratt. cameron richardson. ali hillis.
sinopse. um fim-de-semana, num iate luxuoso, corre terrivelmente mal para um grupo de amigos. [imdb]

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armadilha em alto mar pega num grupo de amigos de liceu, coloca-os perdidos no oceano e deixa a natureza humana vir ao de cima. no início do filme, a menção "baseado em factos reais" contribui para o choque que se avizinha.


que bem que se está em alto mar!...
tendo por cenário a vastidão oceânica e um luxuoso iate, o filme foca-se nas interacções entre as seis personagens, confrontadas com uma situação desesperada mas que resistem ceder ao impulso mais básico por se encontrarem entre amigos... o que não demora a alterar-se.
o filme é interessante do ponto de vista vamos-lá-ver-como-a-amizade-resiste-ao-cada-um-por-si, mas peca por ser pouco credível, pois com tantas cabecinhas pensantes no ecrã, quase não há ideias nem soluções para sair da situação de caca e rapidamente se descamba para o instinto, o que custa a acreditar. 

amizade versus sobrevivência: aceitam-se apostas

armadilha em alto mar
não desilude e é um bom esforço dentro do género (pessoalmente, pelo-me por estes filmes de sobrevivência; a propósito, vejam the grey - a presa, que é fabuloso!), mas há filmes muitos melhores. um ponto positivo é que resistiram à tentação de porem tubarões a "limparem" pessoal; menos mal
.


um filme razoável, com um final desnecessariamente ambíguo (não havia necessidade...).
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. our daughter is scarred for life. she'll either grow up to be oddly attracted to popeye, or a lesbian .
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

temos de falar sobre kevin


[ bom ]

título original. we need to talk about kevin.

género. drama. thriller.

duração. 112 min
ano.
2011
realização e argumento. lynne ramsay.
protagonistas. tilda swinton. john c reilly. ezra miller.
sinopse. eva coloca a sua carreira de parte para dar à luz kevin. a relação entre mãe e filho revela-se difícil desde os primeiros anos. quando kevin tem 15 anos, faz algo imperdoável aos olhos da comunidade. [imdb]

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temos de falar sobre kevin pega num tema abordado várias vezes no cinema e transforma-o numa experiência intensa, ao ponto do espectador sentir várias emoções ao longo do filme.

eva (uma tilda swinton verdadeiramente arrebatadora) é uma mulher bem sucedida que tem no nascimento do primeiro filho o seu maior desafio. kevin é uma criança distante e desprendida que se revela um mestre na manipulação e na agressividade passiva. o seu alvo favorito é a mãe, destinatária de todas as suas birras e frustações.

kevin é magnético em todo o seu desprendimento

à medida que kevin cresce, a sua indiferença perante o sofrimento alheio e a incapacidade de amar atinge níveis preocupantes, ainda mais porque o pai o considera um rapaz normal e a mãe acha que se pode esforçar mais um bocadinho, o que se soma num kevin que nunca é repreendido nem responsabilizado por nada do que faz, mesmo quando se suspeita que cometeu um acto deplorável.
temos de falar sobre kevin
despoleta várias emoções, quase todas elas derivadas da (in)acção de eva, que é manipulada sem misericórdia por um filho sociopata, que se marimba para tudo o que não o envolva, e que tarda em revoltar-se e inverter a situação, o que se revela fatal em mais do que um sentido.
a tilda tem tanto de andrógina como de talentosa
o filme tem alguma simbologia mas a mensagem é bastante clara. há previsibilidade q.b. no argumento mas as interpretações fortíssimas (o talento de tilda swinton é palpável a cada cena) nunca deixam que a história caia na banalidade.

o impacto do filme permanece muito tempo depois o vermos, o que, por si só, é meritório.

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. it's like this: you wake and watch tv, get in your car and listen to the radio you go to your little jobs or little school, but you don't hear about that on the 6 o'clock news, why? 'cause nothing is really happening, and you go home and watch some more tv and maybe it's a fun night and you go out and watch a movie. i mean it's got so bad that half the people on tv, inside the tv, they're watching tv .
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domingo, 2 de junho de 2013

o deus da carnificina


[ bom ]

título original. carnage.

género. drama.

duração. 80 min
ano.
2011
realização. roman polanski.
argumento.
yasmina reza.
protagonistas. jodie foster. kate winslet. christoph waltz. john c reilly.
sinopse. dois casais, os longstreet e os cowan, reúnem-se para conversar sobre uma luta de recreio entre os filhos. a tarde começa de um modo civilizado, mas não se mantém assim durante muito tempo... [imdb]

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o controverso roman polanski, um dos mais famosos fugitivos da justiça americana, tem neste o deus da carnificina um olhar crítico e assertivo sobre a interacção social e a dinâmica de casais.

adaptado de uma peça multi-premiada da francesa yasmina reza (que escreveu igualmente o argumento para cinema), segue o encontro entre dois casais que se reúnem para discutir uma agressão entre os filhos de 11 anos.


quanto tempo se aguentarão aquelas tulipas ali?...

o casal convidado são alan cowan, um advogado que não larga o telemóvel, interrompendo frequentemente a conversa para falar sobre uma acção pendente, e nancy, que trabalha na área da finança e é a tensão em pessoa. o casal anfitrião são penelope e michael, uma activista de direitos humanos que está a escrever um livro sobre o darfur e um vendedor por conta própria.

o serão degenera inevitavelmente em discussões e situações imprevisíveis, à medida que se entra no campo do racismo, da homofobia e do sexismo, e o que começa de uma forma educada e civilizada vai dando lugar à rudeza e ao caos
.


a kate é uma actriz do caraças!
inegavelmente, o ponto forte do filme são dois: jodie foster e kate winslet, a primeira pela interpretação impecável de uma intelectual afectada e a segunda pelas melhores deixas do filme (e também por ser a personagem mais complexa, na minha opinião). claro que o minúsculo elenco é todo ele estelar - com uma pequena aparição de polanski como o vizinho do lado -, mas as senhoras destacam-se.

adaptado de uma peça, não surpreende que a acção do filme se reduza a um par de divisões de um apartamento mas isso revela-se um ponto a favor. é fantástico como a nossa percepção inicial das personagens se vai alterando e dando lugar a diversas emoções à medida que as vamos conhecendo melhor. é caricato reconhecermos alguns comportamentos, tanto nossos como alheios.

por tudo isto, recomendo
o deus da carnificina.

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. i've got a john wayne idea of manhood, too. what is it he had? a colt .45. something that empties a room. any man that doesn't have those loner vibes just doesn't come off as having any substance .

. i saw your friend jane fonda on tv the other day. made me want to run out and buy a ku klux klan poster .
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