sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

breaking bad - ruptura total (temporadas 1-3)

 [ muito bom ]

título original. breaking bad (complete seasons 1-3).
género. drama. romance.
episódios. 33 (1511 min)
ano.
2008-2010

 criado por. vince gilligan.
protagonistas. bryan cranston. anna gunn. aaron paul. dean norris. giancarlo esposito.
sinopse. diagnosticado com cancro pulmonar, um professor de liceu começa a fabricar metanfetaminas para deixar dinheiro suficiente ao sustento futuro da família. [imdb]

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há quase um ano, a fazer zapping, parei no canal mov; no intervalo do filme que estava a ver, publicitaram uma série, breaking bad - ruptura total. não prestei grande atenção, mas pelas roupas do protagonista e do pouco que ouvi, imaginei um professor revoltado com o sistema (olha quantos!) a dar em unabomber. pensei logo em terrorismo nacional e descartei, porque é tema que não me alegra. estive bem mal, e mal sabia eu que estava a ver a apresentação de uma das melhores séries de todos os tempos.


o alter ego de um professor de liceu/traficante

sou uma ávida consumidora de séries norte-americanas (de todos os géneros) e tenho algumas no top 10 pessoal (quantum leap, o sexo e a cidade, curb your enthusiasm, dexter, seinfeld, ficheiros secretos, simpsons, etc.) mas breaking bad destronou-as a todas e ainda me faltam 2 temporadas para o final! tenho resistido bem, vejo um episódio por dia, e mesmo assim não é todos os dias, mas a história e as personagens são tão marcantes que nunca perco o fio a nada, lembro-me sempre de tudo o que ficou para trás; só isto já diz quase tudo.


 

walter white é um modesto professor de liceu, onde ensina química. apesar de ser um grande carola, escolheu levar uma vida mais pacata ao lado de skyler (grávida do segundo filho do casal) e de walter junior. mas a vida dá voltas e walter vê-se doente; o diagnóstico é cancro do pulmão e dois anos de vida. o sistema de saúde é proibitivamente caro nos estados unidos e a família afoga-se em dívidas nos tratamentos, mas o patriarca decide fazer pela vida. contacta jesse pinkman, um ex-aluno que trafica metanfetaminas e propõe-lhe sociedade: vão "cozinhar" droga quimicamente pura, do melhor que há, e fazer os consumidores pagar bem por um produto sem igual.



isto leva a uma revolução, em todos os sentidos, na vida os dois, gerando um emaranhado de ilegalidades e mentiras que vão sendo justificados pelo dinheiro que vai rendendo, que walter vai contabilizando para pagar o empréstimo da casa, os tratamentos de quimioterapia, os estudos superiores dos filhos. em casa, as mentiras sucedem-se mas o que conta é a intenção. 

um barão de droga, na reforma, que tem das melhores cenas

a fama do produto azul, produzido pelo duo, começa a aumentar e atrai tubarões, nomeadamente traficantes locais e a polícia. nesta altura do campeonato, walter e jesse já evoluíram e lidam com as situações à medida que aparecem, sendo que os fins justificam os meios.


este é um dos pontos altos para mim: a evolução das personagens (de uma forma humana, longe de perfeita), a forma como reagem ao bom e ao mau que lhes vai acontecendo à medida que se aventuram cada vez mais fundo no negócio da droga. no caso de walter é tão mais dramático tanto quanto pode ser ter um genro que pertence à dea (a polícia federal encarregue do controlo de narcóticos).


como uma fachada serena e amável esconde um vilão temível

a acção é inacreditável, com a introdução (e remoção) de vários personagens, lutas de território e poder, questões éticas e morais e todo um remoinho que se gera à volta do misterioso heisenberg (o pseudónimo adoptado por walter) e do seu "blue meth". a temporada 1 começa com um walter tímido e amedrontado, mas a temporada 3 encerra com um heisenberg disposto a pagar o preço e a fazer o que for necessário para proteger o seu negócio e os seus.

adoro a evolução da história e a forma como as personagens são complexas e credíveis. apesar da sua gradual passagem para o "dark side", acho a personagem de walter "heisenberg" white absolutamente magnética e apaixonante. o elenco é todo ele fabuloso (adorei a inclusão do advogado saul goodman e dos irmãos "terminator" zeta) e a montagem dos episódios é extremamente original, com flashbacks pontuais que conferem maior profundidade à história. os cerca de 47 minutos que dura cada episódio voam e deixam fome de mais. já vi 3 temporadas e degusto-as, com calma, e absorvo estes momentos fabulosos de televisão (vince gilligan estava verdadeiramente inspirado!).

fecho então o ano com esta apreciação de breaking bad - ruptura total (temporadas 1 a 3), sendo que já comecei a "devorar" a temporada 4. estou rendida; esta série é i-n-c-r-í-v-e-l e quem pensa o contrário é... um ovo podre.

um excelente 2014.

it's all good man!


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. walter white: i am not in danger, i am the danger .

. jesse pinkman: yo, gatorade me, bitch .

. gus fring: when you have children, you always have family. they will always be your priority, your responsibility. and a man, a man provides. and he does it even when he’s not appreciated or respected or even loved. he simply bears up and he does it. because he’s a man .

. walter white: sitting around, smoking marijuana, eating cheetos and masturbating do not constitute "plans" . 
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sábado, 21 de dezembro de 2013

slither - os invasores

[ fraco ]

título original. slither.

género. terror.
duração. 95 min
ano.
2006

realização e argumento. james gunn.
protagonistas. nathan fillion. elizabeth banks. michael rooker. gregg henry.sinopse. uma pequena cidade é infestada por um organismo devorador de carne, que se multiplica como uma praga. [imdb]
 
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slither - os invasores é publicitado como o melhor filme de terror de 2006. duplo não: primeiro porque não é um filme de terror per se e segundo porque se este é dos melhores em qualquer coisa, então o resto é caca pura, ho ho ho. 

(mal por mal, prefiro o remake do the omen e o silent hill, do mesmo ano)




numa cidade pacata, um habitante encontra no bosque uma bola viscosa parecida... com nada que alguma vez tenha visto. a "bola" está viva e dispara um organismo que contamina o homem, dando início a uma transformação interior e exterior, caracterizada por uma fome desesperante e sem fim, que dá origem a várias cenas em que o denominador comum é o nojo.

o nojo é exponenciado porque o homem (o extra-terrestre esfomeado) começa a infectar outros e outras, de forma que a cidade depressa muda o tipo de população, onde o xerife e meia dúzia de pessoas são os únicos que escapam à infecção.



descrito como uma homenagem a vários filmes (a mosca; the blob; a invasão dos violadores), é um filme que aspira a ser de terrir (não confundir com terror), um género difícil mas memorável quando sai bem (o lago; bem-vindo à zombieland; evil dead).

quando não sai bem, temos uma sucessão de cenas onde impera o mau gosto e o nojo, onde os efeitos especiais são blech! e fantástico é o filme não ultrapassar os 90 minutos. argumento: péssimo. actores: desperdiçados. o final: já chegou tarde.


o que se safa? safa-se muito pouco para se aguentar a hora e meia de filme: nathan fillion, o richard castle da série castle. engraçado, carismático e com boas deixas, confere a boa parvoíce em oposição à má parvoíce sem-ponta-por-onde-pegar de tudo o resto.

não recomendo e não imagino quem fará questão de o ver depois disto; ah! só se for um die hard fã de castle.

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. if i weren't about to shit in my pants right now, i'd be fucking fascinated .
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domingo, 15 de dezembro de 2013

o hobbit: a desolação de smaug

[ muito bom ]

título original. the hobbit: the desolation of smaug.

género. aventura. fantasia.
duração. 161 min
ano.
2013

realização. peter jackson. 
argumento. peter jackson. guillermo del toro. phillipa boyens. fran walsh.
protagonistas. martin freeman. richard armitage. ian mckellen. orlando bloom.
sinopse. continua a aventura de bilbo baggins e dos treze anões liderados por thorin escudo-de-carvalho, que tentam chegar à montanha solitária e ao reino perdido de erebor. [imdb]
 
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depois de o hobbit: uma viagem inesperada, chega o segundo filme da trilogia baseada no livro de tolkien, o hobbit. pela mão de peter jackson, responsável pela adaptação ao cinema da trilogia o senhor dos anéis, do mesmo autor, chega-nos mais uma aventura imperdível, onde seguimos a jornada de bilbo baggins e os 13 anões em direcção à montanha solitária, de forma a restaurar o reino de erebor.

graças a um passatempo da mgm portugal, pude ver o filme ontem à noite, e que filmão!

a viagem de bilbo e dos anões levam-nos a atravessar uma terra média cada vez mais perigosa e infestada de orcs e criaturas sanguinárias, cujas motivações são sempre sombrias. o pequeno hobbit continua a revelar-se uma ajuda preciosa, tendo evoluído para uma personagem corajosa e determinada mas cada vez mais impotente perante o poder do anel, que continua a exercer uma influência impossível de resistir (e que se revela imprescindível nas situações de perigo); ainda assim, bilbo salva os anões em mais do que uma ocasião, ciente que terá de enfrentar smaug sozinho, quando alcançarem a montanha.


uma das principais diferenças, em relação ao filme anterior, é a acção sem molengas. conhecemos os elfos da floresta tenebrosa, os homens do lago e aranhas gigantes, vemos como os violentos orcs se organizam e posicionam no território, assistimos ao regresso de sauron e ao seu confronto com gandalf, num piscar de olhos à estética e acção da história d'o senhor dos anéis, tudo intercalado com espadalhada e muito efeito especial. puro entretenimento.

embora o filme seja muito bom, as semelhanças com a obra de tolkien são algo difusas, pois há pouca interacção entre as personagens (onde abunda no livro) e as cenas de acção, leia-se pancadaria da boa, estão presentes no filme a cada 10 minutos como se o público-alvo fossem adolescentes comedores de pipocas; ainda assim, os fãs d'o hobbit perdoam, porque vemos o filme com um conhecimento e deslumbramento muito além de quem não leu e essa é uma vantagem brutal.

(a conversa entre smaug e bilbo perdeu bastante na versão cinematográfica e não é mostrada a evolução da amizade e aceitação entre o hobbit e os anões, apenas aligeirado.)


qualquer forma ou tipo de desolação só existe na palavra do título, porque o filme tem tudo o que um fã de aventuras fantásticas pode querer: acção, emoção, perigos a cada esquina para serem superados e personagens inesquecíveis (até tem um dragão!), tudo bem encadeado e bonitinho.

o primeiro filme é bastante bom, mas o hobbit: a desolação de smaug consegue superá-lo, o que aguça o apetite para o encerrar da trilogia, mas isso agora... só para o ano!

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. i am fire... i am death

. such is the nature of evil, in time all foul things come forth !
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

a flor do mal

[ bom ]

título original. white oleander.

género. drama.
duração. 109 min
ano.
2002

realização. peter kosminsky. 
argumento. mary agnes donoghue. janet fitch (livro).
protagonistas. alison lohman. michelle pfeiffer. renée zellweger. robin wright.
sinopse. depois da mãe ser condenada por um crime passional, a filha adolescente passa por várias famílias de acolhimento,  descobrindo afectos, privações e abusos. [imdb]
 
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a flor do mal é a adaptação do best-seller o aloendro branco, de janet fitch, que já tive a ocasião de ler e comentar no bué de livros.

o livro é muito bom e tem personagens fortes. o filme tem um bom argumento e um naipe de actrizes estelar, que encarnam uma galeria de mulheres fortes e carismáticas.



ingrid e astrid magnussen são mãe e filha, inseparáveis e artísticas. ingrid, pragmaticamente agressiva, passa à filha de 12 anos as ideias-chave do que acredita serem as guias para se ser uma mulher astuta, autónoma e independente: não te apaixones, não dês poder a um homem sobre ti, não contes com ninguém no mundo a não ser contigo própria.

até que o impensável acontece: ingrid quebra as suas próprias regras. quando o relacionamento corre mal, planeia o assassinato do ex-amante e acaba na prisão, condenada a prisão perpétua. a astrid, esquecida na equação, resta entrar no sistema de menores, passando por uma quantidade de casas de acolhimento, aprendendo com as famílias adoptivas o que não aprendeu com a mãe dominadora: o afecto e a solidariedade, a privação e a fome.


apesar do livro (volumoso) ser fértil em personagens, situações e pormenores, muito do conteúdo não teve lugar no filme, infelizmente. por motivos óbvios de duração, várias personagens e acontecimentos não são retratados, o que tira profundidade ao argumento (não se percebe bem os 6 anos que astrid passa em lares e casas de acolhimento), com o condão de não o deixar cair no melodrama enjoativo, e não torna algumas cenas-chave tão perceptíveis quanto devia (a grande maioria envolvendo a relação conflituosa de ingrid e astrid).


no entanto, a flor do mal não deixa de ser um filme poderoso, onde michelle pfeiffer faz um dos melhores papéis de sempre, roubando todas as cenas em que entra com a sua ingrid emocionalmente tirana de olhar glacial. alison lohman é também electrizante como astrid, vulnerável, forte e humana q.b.

longe de ser um filme só para "gajas", o filme tem momentos dramáticos universais e personagens interessantes e complexas, que agradarão a homens e mulheres apreciadores de bom cinema.

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. don't attach yourself to anyone who shows you the least bit of attention because you're lonely. loneliness is the human condition. no one is ever going to fill that space. the best you can do is know yourself... know what you want .
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sábado, 7 de dezembro de 2013

em busca da felicidade

[ muito bom ]

título original. the pursuit of happyness.

género. drama.
duração. 117 min
ano.
2006

realização. gabriele muccino. 
argumento. steve conrad.
protagonistas. will smith. jaden smith. thandie newton. james karen.
sinopse. chris é um vendedor que luta para sustentar a família. quando a mulher abandona o lar, chris fica sozinho com o filho de 5 anos e tenta sobreviver. [imdb]
 
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há filmes que são lições de vida: tocantes, desesperantes, esperançosos. os mais bem sucedidos não recorrem à vitimização nem à lamechiche, recorrem ao realismo mais cru e mostram as pessoas em pleno, com defeitos e virtudes, com decisões cruciais menos felizes: em busca da felicidade é um destes últimos.

quando o filme começa, chris gardner leva uma vida muito modesta com a mulher e o filho, vendendo uns aparelhos de raio-x onde empatou as poupanças da família e cujo retorno está longe de ser o esperado. a esposa tem turnos duplos para compensar o orçamento. o filho passa os dias entregue a uma ama longe de ser a ideal, mas o dinheiro não dá para melhor.


chris tem boa "carola" para números, faltam-lhe os estudos para chegar aos empregos nessa área. quando abrem estágios de corretagem numa conceituada firma, chris vê a sua oportunidade (ao melhor estagiário é oferecido um emprego). esforça-se por conseguir ser escolhido mas desmoraliza quando descobre que o estágio não é remunerado. em casa, as discussões são constantes e a mulher acaba por sair, deixando o marido e o filho para trás.

nesta altura, chris fica mesmo em maus lençóis, financeira e emocionalmente, e uma sucessão de acontecimentos, levam a que fique sem casa e quase sem dinheiro para comer. inventivo e inteligente, tenta o possível para manter um dia-a-dia o mais normal possível para o filho, mas vê-se encurralado e obrigado e recorrer a abrigos e à caridade, sem nunca deixar de se esforçar no estágio financeiro (que acaba por aceitar) nem de tentar vender as máquinas de raio-x que lhe restam - e que são o único balão de oxigénio com que pode contar.


o filme tem cenas particularmente emotivas, como quando chris e o filho têm de pernoitar num wc público ou quando chris é atropelado e perde um sapato e tem de voltar ao estágio como se nada fosse. à sua volta, ninguém sabe que ele é um sem-abrigo e que passa por dificuldades hercúleas. chris não deixa de lutar, nem de ser um bom pai, nem de se esforçar, e isso é verdadeiramente admirável, mais ainda porque o filme é baseado numa história verídica e gerir toda esta situação é sobrehumano.

will smith e o filho, jaden, levam o filme às costas como se nada fosse, mas as interpretações (e a dinâmica no ecrã) de ambos são de se tirar o chapéu; will smith mostra mais uma vez a sua versatilidade e prova que é merecedor um óscar (perdeu para forest whitaker).

a forma como em busca da felicidade nos toca ao ponto de torcermos e sofrermos com o protagonista é tão raro que quando surge um filme como este, há que não deixar escapar a oportunidade de (re)ver.

histórias de adversidade extrema superada com esforço, trabalho e sacrifício são lembretes preciosos em alturas como a que passamos e aquecem o coração.

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. hey dad, you wanna hear something funny? there was a man who was drowning, and a boat came, and the man on the boat said "do you need help?" and the man said "god will save me". then another boat came and he tried to help him, but he said "god will save me", then he drowned and went to heaven. then the man told god, "god, why didn't you save me?" and god said "i sent you two boats, you dummy!" .
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sábado, 30 de novembro de 2013

cela 211

[ muito bom ]

título original. celda 211.

género. drama. thriller.
duração. 113 min
ano.
2009

realização. daniel monzón. 
argumento. jorge guerricaechevarría. daniel monzón.
protagonistas. luis tosar. alberto ammann. antonio resines. carlos bardem. marta etura.
sinopse. juan é um guarda prisional que se apresenta no novo trabalho um dia mais cedo, para conhecer os colegas. durante a visita, irrompe um motim. juan fica para trás; mais tarde, apercebe-se que terá de fingir ser um prisioneiro para sobreviver. [imdb]
 
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cela 211 revelou-se uma agradável surpresa, uma surpresa que se desvaneceu quando pesquisei sobre o filme (depois de o ver) e me deparei com os inúmeros prémios que ganhou por espanha, nomeadamente o goya (os óscares espanhóis) para quase tudo, de melhor filme a realizador a actores a som. yep, o filme é mesmo bom.


com um argumento realista e extremamente envolvente, vemos o mundo pelos olhos do protagonista, juan oliver, um guarda prisional transferido para uma prisão de zamora que decide ir conhecer os colegas e a prisão no dia anterior a começar.

mas a sorte não está com ele e nesse mesmo dia, os presos iniciam um motim. em pânico, os guardas deixam juan para trás e este tem de fingir ser um recluso ou morrer às mãos da turba de assassinos, violadores e terroristas.
 


intercalado com flashbacks que dão uma carga mais humana ao filme (juan vai ser pai em breve, ir à prisão um dia antes era uma forma de causar uma boa impressão), seguimos a forma como juan finge ser um preso e cai nas boas graças do cabecilha do motim, malamadre, e conquista a confiança dos presos, ao mesmo tempo que passa informação aos guardas e à polícia.

cela 211 centra-se nos temas da humanidade, da desconfiança e da corrupção; a prisão é como um microcosmos da realidade exterior, onde as pessoas valem pelo que são e não pelo que aparentam, sem os clichés mais que estafados em filmes do género. há cenas claramente críticas do sistema judicial e prisional espanhol e alguns comentários ao grupo terrorista da eta mas o filme nunca se afasta do tema central.


a escolha de actores foi determinante para o sucesso. nos filmes americanos, presos e guardas são estereotipados ou carinhas larocas com cicatrizes falsas para dar o ar de durões, mas em cela 211 os actores são credíveis, fisicamente e a nível comportamental; as coisas que fazem e dizem, as suas dúvidas e hesitações, tudo soa a real.

uma história convincente, bem filmada, muito bem escrita e com um final de truz, sem máscaras. dá gosto ver filmes assim. olé!

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. a veces la vida te la mete por detrás y ni te das cuenta .
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domingo, 24 de novembro de 2013

a invasão

[ razoável ]

título original. the invasion.

género. ficção científica. thriller.
duração. 99 min
ano.
2007

realização. james mcteigue. oliver hirschbiegel. 
argumento. david kajganich. ennis paoli. nicholas st john.
protagonistas. nicole kidman. daniel craig. jeremy northam. veronica cartwright.
sinopse. uma psiquiatra descobre a origem de uma epidema alienígena; com o alastrar da infecção, a única esperança é manter-se acordada o tempo suficiente para encontrar o filho. [imdb]
 
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a invasão é (mais) um remake baseado no célebre livro de jack finney, onde a terra é tomada de assalto (ainda que silencioso) por extraterrestres. depois d'a invasão dos violadores (1978) e de violadores: a invasão continua (1993), os humanos voltam a estar ameaçados e, na calada da noite, a serem substituídos por clones inexpressivos e determinados a dominarem a terra.


quando o filme começa, a nossa protagonista, carol bennell, uma conceituada psiquiatra, nada sabe do que se passa, mas os sinais começam a ser cada vez mais alarmantes: os seus pacientes mencionam que cônjuges, amigos e vizinhos estão diferentes e não parecem ser os mesmos, e a própria carol começa a aperceber-se de comportamentos estranhos, onde os olhares apáticos e os comportamentos robóticos parecem dominar as pessoas com quem se cruza na rua, nas lojas, no bairro onde mora.

quando a invasão se torna evidente, resta apenasa a carol fugir com o filho e evitar o contágio, tentando não adormecer e não confiando em ninguém.
 


a anos-luz da qualidade do filme de 1978, com donald sutherland, a invasão é um filme morno e pouco emocionante, onde os tiques hollywoodescos (a previsibilidade, a acção moderada, o pouco espaço para o suspense) não ajudam. nicole kidman e daniel craig são uma boa dupla, mas o argumento tem pouco por onde puxar. as personagens são pouco complexas e o tema do isolamento e estandartização humanos, patentes no filme de '78, são pouco explorados.

mesmo assim, o filme é ligeiramente melhor que o de 1993, mas isso deve-se essencialmente à interpretação de nicole kidman, que, sozinha, eleva o filme mas, sozinha, não o consegue tornar bom.

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. in the right situation, we are all capable of the most terrible crimes. to imagine a world where this was not so, where every crisis did not result in new atrocities, where every newspaper is not full of war and violence. well, this is to imagine a world where human beings cease to be human .
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

dúvida

[ bom ]

título original. doubt.

género. drama.
duração. 104 min
ano.
2008

realização e argumento. john patrick shanley.
protagonistas. meryl streep. phillip seymour hoffman. amy adams. viola davis. carrie preston.
sinopse. a directora de um colégio católico, famosa pela sua austeridade, questiona a relação de amizade entre um dos professores e o único rapaz negro da escola. [imdb]
 
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bronx, 1964. os ventos de mudança começam a soprar e o colégio de st nicholas recebe o seu primeiro aluno de raça negra. o colégio é dirigido pela igreja, sendo a directora a irmã aloysius beauvier, uma mulher brusca e directa, que acredita no poder da disciplina e da obtenção do respeito pelo medo. a realidade é que os seus métodos, apesar de contestados por alguns pares, resultam bem.

o padre flynn, professor de educação física, é a antítese da directora: bem-disposto e de sorriso fácil, conquista vários dos alunos com o seu carisma e humor. parece ter preferência por donald, o recém-chegado aluno negro ao colégio, resguardando-o de alguns comentários menos correctos dos restantes alunos.



até que, um dia, um comentário sem malícia de uma das irmãs mais novas relativamente aos dois (professor e aluno), deixa a directora de alerta, o que vai levar a um choque de ideias e opiniões entre a irmã aloysius e o padre flynn, que não admite a assertividade de discurso da directora e a sua acusação velada de pedofilia.

o embate entre os dois titãs (streep e seymour hoffman) faz o filme, juntamente com os diálogos e os momentos de silêncio, onde flutua a dúvida. o leque de actores, tanto os principais como os secundários é estelar, com viola davis e amy adams igualmente fantásticas; longe de apostar no choque e na acção, dúvida / doubt apoia-se num argumento inteligentemente gradual em tensão e ambiguidade e nisso o trabalho de actores é crucial (e têm por onde pegar: personagens credíveis e complexas).



nos dias de hoje, e na senda da década de 90 (onde houve o maior número de denúncias e grande cobertura mediática), as acusações de pedofilia por membros do clero não são novidade, mas na década de 60 seria algo impensável e o filme põe o dedo na ferida ao abordar um tema inimaginável. aliás, a sugestão é tão hedionda que algumas personagens nem contemplam a hipótese, o que torna o duelo entre aloysius e flynn muito mais emocionante, ela inabalável na sua certeza e ele insistindo na sua inocência.

o final é deixado um pouco em aberto embora, para mim, tenha sido claro. bastou tomar um dos lados, apesar de haver alguma margem para outras conclusões. é um filme obrigatório e prova que um título pode viver inteiramente do trabalho de actores.


nota: vi esta peça há uns anos com eunice muñoz e diogo infante, antes do filme sair. embora tenha gostado, o filme é muito superior. 



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. where is your compassion ?
nowhere you can get at it .
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