segunda-feira, 2 de setembro de 2013

a semente do diabo




[
muito bom ]

título original. rosemary's baby.

género. thriller.
duração. 136 min
ano.
1968

realização e argumento. roman polanski.
protagonistas. mia farrow. ruth gordon. ralph bellamy. john cassavetes.
sinopse. um jovem casal muda-se para um novo apartamento, onde vive rodeado de vizinhos e ocorrências peculiares. quando a esposa fica grávida, começa a ter dúvidas sobre a segurança do seu bebé. 

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a semente do diabo envelheceu soberbamente; 45 anos depois, continua um exercício espantoso de representação, suspense e realização; até hoje, é o melhor filme que vi de roman polanski (que o adaptou brilhantemente do livro de ira levin).

ao longo de todo o filme, sentimos compaixão e alguma raiva (como pode alguém ser tão cego e ingénuo?) pela situação de rosemary, uma jovem esposa que se dedica ao bem-estar do marido, um actor de segunda que tarda em ter a oportunidade que o catapultará para a fama, apesar de este ser um egoísta de primeira água. rosemary é uma mulher do seu tempo (anos 70): curiosa, informada e a par das últimas tendências. 





porem, é bastante ingénua e inocente no que toca às relações humanas; doce e romântica, põe as necessidades dos outros à frente das suas, o que se revela uma má aposta quando fica grávida, pouco depois de mudarem de casa e começarem a residir no condomínio de bramford.




o bramford tem má reputação e são muitas as histórias de crime e sangue ao longo das décadas. quando os woodhouse se mudam, o condomínio é habitado por muitos séniores, que os acolhem de uma forma ruidosa e intrusiva, sem nunca parecerem ameaçadores, sem nunca parecerem o que são. apenas vislumbramos a sua perigosidade na fantástica sequência do sonho alucinado de rosemary, bastante sofisticado para uma fita de 1968.



o filme tem mais de duas horas, tempo que polanski aproveita ao máximo, desenvolvendo a história e a protagonista, construindo um suspense fantástico com uma heroína credível, que vai largando a sua passividade e revelando a sua força.

a carga psicológica do filme é subtil e gradual e a acção é rica em pistas e subtilezas que são confirmadas a devido tempo. o final é surpreendente. mia farrow é uma rosemary perfeita, convicente até à medula, ao ponto de não imaginar mais ninguém neste papel; todo o elenco é fabuloso, embora um insonso John cassavetes pareça demasiado pateta nas primeiras cenas do filme e seja pouco expressivo na totalidade do mesmo.

mas isso é uma nódoa mínima num filme a cinco anos do jubileu (50 anos, este filme vai fazer 50 anos!). um clássico o-bri-ga-tó-rio. 

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 he chose you, honey! from all the women in the world to be the mother of his only living son !
 
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