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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

dúvida

[ bom ]

título original. doubt.

género. drama.
duração. 104 min
ano.
2008

realização e argumento. john patrick shanley.
protagonistas. meryl streep. phillip seymour hoffman. amy adams. viola davis. carrie preston.
sinopse. a directora de um colégio católico, famosa pela sua austeridade, questiona a relação de amizade entre um dos professores e o único rapaz negro da escola. [imdb]
 
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bronx, 1964. os ventos de mudança começam a soprar e o colégio de st nicholas recebe o seu primeiro aluno de raça negra. o colégio é dirigido pela igreja, sendo a directora a irmã aloysius beauvier, uma mulher brusca e directa, que acredita no poder da disciplina e da obtenção do respeito pelo medo. a realidade é que os seus métodos, apesar de contestados por alguns pares, resultam bem.

o padre flynn, professor de educação física, é a antítese da directora: bem-disposto e de sorriso fácil, conquista vários dos alunos com o seu carisma e humor. parece ter preferência por donald, o recém-chegado aluno negro ao colégio, resguardando-o de alguns comentários menos correctos dos restantes alunos.



até que, um dia, um comentário sem malícia de uma das irmãs mais novas relativamente aos dois (professor e aluno), deixa a directora de alerta, o que vai levar a um choque de ideias e opiniões entre a irmã aloysius e o padre flynn, que não admite a assertividade de discurso da directora e a sua acusação velada de pedofilia.

o embate entre os dois titãs (streep e seymour hoffman) faz o filme, juntamente com os diálogos e os momentos de silêncio, onde flutua a dúvida. o leque de actores, tanto os principais como os secundários é estelar, com viola davis e amy adams igualmente fantásticas; longe de apostar no choque e na acção, dúvida / doubt apoia-se num argumento inteligentemente gradual em tensão e ambiguidade e nisso o trabalho de actores é crucial (e têm por onde pegar: personagens credíveis e complexas).



nos dias de hoje, e na senda da década de 90 (onde houve o maior número de denúncias e grande cobertura mediática), as acusações de pedofilia por membros do clero não são novidade, mas na década de 60 seria algo impensável e o filme põe o dedo na ferida ao abordar um tema inimaginável. aliás, a sugestão é tão hedionda que algumas personagens nem contemplam a hipótese, o que torna o duelo entre aloysius e flynn muito mais emocionante, ela inabalável na sua certeza e ele insistindo na sua inocência.

o final é deixado um pouco em aberto embora, para mim, tenha sido claro. bastou tomar um dos lados, apesar de haver alguma margem para outras conclusões. é um filme obrigatório e prova que um título pode viver inteiramente do trabalho de actores.


nota: vi esta peça há uns anos com eunice muñoz e diogo infante, antes do filme sair. embora tenha gostado, o filme é muito superior. 



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. where is your compassion ?
nowhere you can get at it .
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quinta-feira, 24 de maio de 2012

as serviçais



título original. THE HELP

realização e argumento. tate taylor.
protagonistas. viola davis. emma stone. octavia spencer. bryce dallas howard. jessica chastain.
género. drama.
duração. 146 min
ano.
2011
sinopse. skeeter é uma aspirante a escritora que decide escrever um livro com os testemunhos das empregadas domésticas negras. nos anos 60, no mississipi, este revela-se um projecto de risco. [imdb-do-filme]


avaliação [ bom ]

as serviçais / the help foi um dos filmes-sensação dos óscares de 2012. baseado no livro homónimo de kathryn stockett, que já li e adorei, é um filme completo, com tocantes momentos dramáticos e de comédia.

além do argumento de qualidade, tem um elenco fabuloso, que recebeu várias nomeações: viola davis, octavia spencer, bryce dallas howard, entre outras. a acção passa-se na conservadora e racista cidade de jackson, onde, em plena década de 60, ser preto é sinónimo de inferioridade, com o kkk a actuar impunemente e segregação a dar com um pau.

ser negro no mississipi significa fazer trabalho braçal ou não trabalhar. os homens estão basicamente confinados ao sector primário e as mulheres são empregadas domésticas, acumulando
a lida da casa e a educação dos filhos das patroas com qualquer outra coisa que surja. nem por isso têm direito ao salário mínimo ou à segurança social, mesmo com os discursos de martin luther king e jf kennedy a serem transmitidos via rádio e tv; não há forma da mudança chegar, porque o tempo basicamente parou em jackson, mississippi


as merdas que uma tipa tem de ouvir (além de limpar)!


mas nem todos os brancos concordam com a situação. skeeter phelan decide contar a versão das criadas, pondo a nu os bastidores do que se passa nas casas das senhoras brancas, a grande maioria déspotas e cruéis ao ponto de dissuadir as mais activistas de se manifestarem.

assim, ao longo de 2 horas e meia, assistimos à luta de um grupo de mulheres em denunciar e tentar mudar as mentalidades, ao mesmo tempo que temem pelas vidas. mas a constante humilhação e a esperança de um futuro mais digno leva-as mais além.

o ponto forte do filme são as personagens, todas elas femininas. há maldade e há sensibilidade, há força e há fraqueza nestas mulheres; é interessante seguir o filme, apesar de muitas cenas terem sido modificadas e da acção no livro ser MUITO mais crua e MUITO menos cor-de-rosa, sem necessidade de estereotipar algumas situações.


mesmo assim, as serviçais / the help é original e surpreendente, uma adaptação que não envergonha o livro mas que não o suplanta (o que seria uma tarefa impossível).

o filme é bom, o livro é ainda melhor
; o melhor será complementar um com o outro.

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curiosidade: o realizador do filme e a autora do livro são amigos de infância; ambos cresceram em jackson, mississippi.


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. you is kind. you is smart. you is important.

. love and hate are two horns on the same goat, eugenia. and you need a goat .

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